
Elas se derramam como chuva torrencial por todos os cantos. Aonde vamos, encontramos salpicos delas em slogans, nas frases de camisetas, nos outdoors, na internet, acumulando as caixas de E-mails até o tampo, nas prateleiras das livrarias, em documentários, jornais, revistas, em filmes, nas empresas e nas fábricas. Todos os dias recebo pela net dezenas delas. Me refiro às mensagens motivacionais, as famosas mensagens de auto-ajuda, os textos melosos que misturam poesia, palavras de afirmação e textos da bíblia, que na sua grande maioria eu deleto.
Hoje em dia o mundo está envolvido em uma gigantesca rede de informações e esse modismo da auto-ajuda está impregnado na rede. E quem são os arautos dessa nova mensagem de motivação? São “pregadores” que inundam os veículos de comunicação. Eles são articulados, bem afeiçoados, bem vestidos, com sua voz aveludada, deixam seus ouvintes em verdadeiro estado de torpor. Milhares de empresários os contratam para motivar seus empregados, com a finalidade de levá-los a uma atitude positiva de bom humor, disposição para o trabalho e criatividade suficiente para alavancar o rendimento de suas empresas.
Não tem nada de mais que existam mensagens positivas para revigorar o ânimo das pessoas no trabalho, na firma e na empresa. Ler e ouve quem quer...
Preocupa-me porém, o fato dessa catadupa de mensagens melosas estarem invadindo a igreja. Porque hoje se vê igreja como empresa, nada mais natural imitar o mundo empresarial e manter essa triste mentalidade de que a Igreja precisa de uma motivação adicional pra manter seu ânimo.
Essas mensagens estão contidas nas músicas, nas mensagens dos pregadores e na boca do povo, e tanto na igreja evangélica quanto na católica, esses pregadores de mensagens de auto-ajuda estão mandando ver. Desde os primórdios da mensagem de auto-ajuda começando com o precursor do movimento, o pastor Norman Vincent Peale, com seu best-seller o Poder do Pensamento Positivo, e depois com o presbiteriano Robert Schuller com seus livretos de levantar o moral, já apareceram centenas de John Maxwells, Augustos Curys e Fábios de Melo da vida que estão por aí, com sua prosa maneirosa e obtendo um número fabuloso de fãs. Hoje, o livro agarapado de Rhonda Byrne, O Segredo, com sua famigerada Lei da Atração vende aos tubos, com direito a filme e o escambau.
Creio que a grande maioria dos que se contentam com tão pouco, não conhecem autores e conferencistas no teor de Philip Yancey, Henry Nouwen, Brennan Manning, Eugene Peterson, Dalllas Willard, e tantos outros que trazem no bojo de suas mensagens elemento devocional e motivacional capaz de levantar qualquer um que esteja prostrado.
Para se ter uma idéia mais ampla, essa mensagem superficial de auto-ajuda tem atingido até as editoras de bíblias. É Bíblia da Mulher, do Homem, do Adolescente, Bíblia Anotada, Explicativa, de Batalha Espiritual e Unção Financeira, Bíblia Pentecostal, Bíblia do Obreiro, com textos auto-explicativos e por aí vai, cada uma mais “ungida” que a outra e a Bíblia Sagrada como texto puro e simples já não serve mais e tem gente que lê mais as notas de rodapé e explicações de margem que a própria Bíblia. Isso me preocupa.
Concluo dizendo que a auto–ajuda é um adendo nefasto enxertado no corpo da igreja, e que arrasta milhares de cristãos desavisados para o caminho da auto-suficiência e do afastamento da humildade que só depende de Deus para viver. O futuro da igreja é incerto... Só penso aonde vamos chegar... Se continuar assim desse jeito, o Evangelho estará mais diluído que xarope homeopático.
Vamos tentar mudar esse quadro? Leia mais...


