sábado, 24 de janeiro de 2009

DESCULPE, MAS SOU SIMPLESMENTE HUMANO



HOMENAGEM A DIETRICH BONHOEFFER INSPIRADA NO POEMA "QUEM SOU EU"?

Às vezes me sinto PLENO.
Como se me inflasse o peito,
Visitado por raras alegrias que fazem rir
Que nem menino chapinando na enchurrada
em dia de chuva torrencial passageira.
Nessas horas, a euforia toma espaço,
e a vida se faz verão quando o sol
rompe passagem nas nuvens cinzentas
de mesmices viciantes.

Às vezes me sinto MOTIVADO.
A mente fica iluminada,
e as idéias emanam livres.
É quando parece que o simples ato de dormir vai extinguir
a gana de existir,
Abortando no nascedouro das idéias
ondas de sonhos promissoras.

Às vezes me acho DESTEMIDO,
Herói de batalhas épicas
Equipado para a guerra,
enfrentando batalhões de inimigos,
que nem Davi: com meu Deus eu salto muralhas...
Atento a tudo, vigiando na trincheira da vida.
Assim, na linha de frente
me revisto de poder e graça,
desafiando gigantes amedrontadores.

Às vezes me acho ESPERANÇOSO.
Carregado das doces esperanças
de quem mesmo na terra, vislumbra o céu,
Acometido de um desapegado coração peregrino,
vasado pela simplicidade e singeleza
de quem se contenta com a benção do trivial,
mas se deleita com mesas mais fartas,
sonhando acordado sobre
a luz imarcecível que um dia serei...

Às vezes me sinto VAZIO.
Como cavidade amorfa sem teor e sem textura,
Eco fragmentado de tons desvanecidos.
Poço sombrio de insólita vacuidade.
Bolha hermética de sons cavos abafados,
assolada por lembranças
de antigos feitos improdutivos.

Às vezes me encontro EM DÚVIDA.
Debaixo de avalanches de porques,
acachapado pelo medo do futuro,
Circulo vacilante na espiral das incertezas,
Pássaro agonizante se debatendo
contra a bruma espessa,
sólida parede de bronze
pichada de cor de chumbo.

As vezes me sinto SUJO.
Acossado por tentações que solapam
o poço lúgubre dos pensamentos aleatórios,
povoado por desejos hediondos e
enlameado por devaneios mesquinhos,
Me vejo encurralado no beco estreito da culpa,
Entre o ser o que sou e aquilo que poderia ser...

ÀS VEZES JÁ NÃO SEI QUEM SOU!
Sou este, ou aquele?
Herói combatente destemido,
ou um covarde fugitivo trancafiado
em sua caverna de escape?
O das alegrias indizíveis do alto da montanha,
ou o habitante dos porões
escorregadios da incerteza?

Mas em um momento e em outro,
encontro a via de acesso, livre,
Portal para a liberdade imorredoura.
E como pecador junto com outros mortais,
Recorro à fonte inesgotável de perdão, ao pé da cruz.
E me aninho indefeso debaixo de sua acolhedora sombra.

E É ALI, no regaço do Filho do HOMEM,
Sumo Sacerdote Compassivo,
que se condói das minhas fraquezas
e aperfeiçoa nelas o Seu Poder,
que encontro pouso seguro.
E nesse lugar de absoluta aceitação de quem sou,
(Não um super herói,
no máximo, um anti-herói errante,
que carrega um coração peregrino),
poder dizer com certeza:
Sou teu, Jesus!

2 comentários:

Marilena Silva disse...

É por seres quem és que a cada dia me apaixono, é claro que algumas vezes me mostro estressada, mas esse teu jeito de ser e de crer me empolga e me ensina sempre. Te amo meu super-heroi. Lena

Guilar15 disse...

Muito show!!!
Esse poema revela a alma de muita gente.
Me identifiquei em vários trechos.

Agora, a declaração da Tia Lena ai em cima... Uhuhuhuhuhuhuh

É isso ai Tia Lena, como diz o Vander Lee: "Românticos são poucos, românticos são loucos como eu". Olha ai...

Abração