quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

NÃO MORRO DE AMORES POR ISRAEL



Só no tempo do seminário é que pude me defrontar com a visão de uma Israel intocável e sutilmente idolatrada. Depois, através dos anos, pude perceber a evolução dessa devoção cega em certas comunidades que adornavam os púlpitos com a bandeira de Israel, adotavam suas danças, superestimavam sua língua cantando e recitando textos em hebraico e festejavam seus cerimoniais e festas anuais. Fora a imposição de se fazer a peregrinação à Terra Santa imbuídos do mesmo misticismo que Paulo Coelho fez a caminhada de Santiago de Compostela, na Espanha ou que os devotos de Maomé vão à Meca.
Eu sinceramente não morro de amores por Jerusalém. E não me empolgo em poder andar onde Jesus andou, mesmo porque Jerusalém já foi conquistada onze vezes, destruída e reconstruída dezoito vezes, e o chão original em que Jesus pisou está soterrado debaixo de 20 metros de entulho.
Hoje vejo a opressão desse povo imcompreendido que vive na Faixa de Gaza, impetrada por Israel. Sei que existem questões políticas milenares a serem resolvidas relacionadas à ocupação da terra. Mas vejo também um povo injustiçado e toda injustiça tem que ser combatida.
E não me revisto dessa visão protecionista de um Israel isento de culpa, pelo simples fato de crer que que o Israel de Deus que a Bíblia fala é a somatória de todos os salvos entre gentios e judeus e não uma nação que Deus sempre “passa a mão”.
Essa imagem de um Israel com seu triunfalismo exagerado, sua democracia exemplar e suas conquistas fantásticas é influenciada diretamente pela corrente teológica dispensacionalista, e por outro lado, pela globalização, pela mídia manipuladora, pela narrativa difundida por “meio gato pingado” de jornalistas sentados em seus confortáveis escritórios em Londres e Nova York (depois eu escrevo porque sou um cético radical que não acredita em notícias e informações divulgadas pela mídia).
A imagem distorcida de palestinos como vilões fundamentalistas atiradores de pedra e Israel como a pacífica perseguida e injustiçada provém da mesma fonte de divulgação direcionada.
Certamente a nação de Israel deve ser confrontada, se existem ações impiedosas e atos arbitrários como qualquer outra.
A igreja deve exercer seu papel profético ao mundo e sem isenção, denunciar toda injustiça, as prisões arbitrárias, os cercos criminosos, as ocupações militares arrazadoras, as torturas, as privações impostas, as milhares de casas bombardeadas, as famílias despedaçadas, as terras desapropriadas, o confinamento opressor de um milhão e duzentos mil habitantes de Gaza, gerando a sensação de impotência, a pobreza, a lama e a feiúra que subjazem por baixo do verniz do processo de paz que vem sendo encaminhado inúmeras vezes, sem contudo ter-se uma solução paupável.
Mas o que fazer?
Podemos nos aproximar do assunto de forma isenta e despojada, comprometidos somente com a justiça que é a do Reino de Deus.
Podemos orar de forma intercessória, sentindo na pele, na carne e na alma a dor dilacerante desse povo humilhado.
Podemos agir no sentido de contribuir com ongs e organizações humanitárias que possam refazer as casas destruídas, construir escolas, e levantar o moral do povo, assim minimizando sua dor, sua fome e o sofrimento inigualável que estão experimentando.
Se assim fizermos, penso que estamos sendo encaixados no grupo raro de discípulos dos quais Jesus disse:
BEM-AVENTURADOS OS QUE TEM FOME E SEDE DE JUSTIÇA POR QUE SERÃO FARTOS.

3 comentários:

neojoy disse...

tem sido ótimo acompanhar seu blog pastor. ^^ tanto que fiz uma pequena homenagem a ele no meu. passe lá e dê uma olhada. ;)

markeetoo disse...

eh, concordo com vc.
o que pode ser feito de prático tb eh ingressar numa missão pro-paz e viajar ateh a zona do conflito promovendo a paz =]

AlyCampos disse...

..é uma realidade, precisamos mais atitude..nos preocupamos só com nosso entorno palpável e pronto. Podemos ir bem mais além..muy bueno!