terça-feira, 31 de março de 2009

O AMOR SEMPRE PROTEGE



Essa seção tem por alvo revestir de um significado novo velhas palavras mal interpretadas pelos tradutores que elaboraram as versões das Escrituras. Valem as boas intenções, mas só isso. É preciso ser ousado e mais profundo em busca do sentido original perdido. Essa é a proposta dessa série. Espero que você aproveite e seja muito edificado.
Tudo sofre, texto de Paulo aos coríntios capítulo treze verso sete, no original grego vai mais além do que sofrer. Sua interpretação é muito rica. O termo significa cobertura, telhado, proteção, abrigo, preservar, aguentar. Num sentido mais amplo, quer dizer acobertar com silêncio, manter segredo, esconder, ocultar, cobrir o erro e as faltas dos outros. Tem a ver com o cessar o abuso de poder de certas lideranças e a aplicação equivocada da disciplina bíblica que expõe o pecador às mais humilhantes situações e ao invés de o preservar, o desnuda, o deixando absolutamente desprotegido. O verdadeiro amor faz justamente o contrário.
O Dicionário Teológico do Novo Testamento diz que a palavra transmite a idéia de cobrir com um manto de amor.
Antes de pecar, o primeiro casal, Adão e Eva, não precisavam de roupas. Eles se contentavam em andar na moda naturalista. Quando eles pecaram, rebelando-se diretamente à ordem moral estabelecida por Deus, não conseguiram depois se vestir suficientemente depressa e satisfatoriamente. Eles estavam envergonhados e atolados na lama pegajosa da culpa. Esconderam-se nos arbustos e começaram a elaborar um tosco enxoval de folhas de figueira. Eles precisavam de proteção. Eles conheciam certamente as consequências de seu erro. Deus pessoalmente os havia advertido:
"-Do fruto da árvore que está no meio do jardim não comereis, nem nele toqueis, para que não morrais”.
Eles desobedeceram, o pecado (um dos significados na Bíblia é errar o alvo) os atingiu de cheio. Caíram em si. Viram o erro que cometeram. Foram acapachados pela vergonha e pela culpa. Eles nem atinavam, nem de longe, que sua ação deliberada repercutiu até os confins do universo. Que o cosmo inteiro foi pincelado de cinza escuro. O que Deus fez? Como João proclama, nós amamos, porque Ele nos amou primeiro. Deus toma a iniciativa primeira e dá o primeiro passo em direção ao homem totalmente confuso com seu pecado recém cometido: - Adão, onde estas? O homem perdido em seu eixo de direção responde: ouvi tua voz no jardim, e porque estava nu, tive medo, e me escondi. Aí acontece algo fantástico. Deus teceu uma vestimenta adequada, uma cobertura apropriada para cobrir a nudez do casal: fêz o Senhor Deus a Adão e sua mulher túnicas de peles e os vestiu (Gn3.21). Essa sentença sugere três atos poderosos no cenário do teatro do mundo criado. 1º ato. Para dar uma cobertura adequada a Adão e sua esposa, Deus teve que matar um dos animais de Sua criação. Pela primeira vez na história do mundo, o solo terrestre é manchado de sangue. Sangue inocente salpicou no chão, o animal não havia feito nada de errado, mas teve que morrer. Adão e Eva sim, deveriam morrer, conforme o combinado por Deus, mas viveram. O animal merecia viver, mas morreu. 2º ato. Deus providencia uma cobertura eficiente para o objeto de Seu amor obstinado. Deus se torna Iaveh-Alfaiate, o Estilista Amoroso, aquele que teceu o universo, agora fia em Seu tear invisível uma roupa para Adão e Eva. Elaborada à custa de sangue inocente. 3º ato. Deus mesmo os veste. Como alguém sugeriu, Deus não jogou as novas vestes aos pés do casal e disse: vistam isto!. Não. É como se dissesse: Fiquem parados. Vamos ver como isso fica em vocês. Como uma mãe veste seu filhinho, como o pai fecha o botão da camisa do filho, como o médico cuidadoso bota o avental sobre o paciente assustado. Deus fez as vestimentas e Deus mesmo os cobre. É assim que Ele trata com nosso pecado, erros e mancadas. Comemos do fruto proibido, todas as nossas ações foram afetadas pelo pecado, fomos inoculados pelo veneno letal da rebelião contra Deus. Alçamos nossa mão em direção ao fruto proibido, açambarcamos com nossos dedos seu diâmetro tridimensional, sentimos sua tecitura aveludada. Salivamos e lambemos o beiço de desejo. Ouvimos a casca sendo rompida pelos dentes entrando em sua polpa carnuda. Nos deleitamos com seu sabor dulcíssimo em nossa língua, mas conforme a massa do fruto escorria garganta abaixo, antes de se alojar no estômago, sentimos seu sabor amargo e repugnante. Sabor de dor, nojo, culpa e vergonha. Caímos em um alçapão no fundo da caverna asfixiante do nosso ser interior, tomados de surpresa por sentimentos e desejos contraditórios nunca antes sentido. Então, o que Deus faz? De novo Ele derrama sangue inocente. Equipado de um amor sem comparação no universo, Ele dá a vida de Seu filho, Seu único Filho. O sacrifício eterno é realizado. Uma cruz se ergue entre o céu e a terra e o Filho de Deus está ali pregado. Na mesma hora em que expira, Deus toma dos ombros retalhados Seu manto de justiça e vem em nossa direção para nos cobrir e nos livrar da vergonha imposta pelo pecado. E nós não precisamos fazer nada para recebê-lo. Como Adão. Paulo diz: porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom/ presente gratuito de Deus; não de obras/esforço humano, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura/ obra de arte Dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. Essa ação tem tudo a ver com outra palavra do Novo Testamento: propiciação. Tem seu sentido maior na cobertura do erro. Veja o que João nos fala: filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis/saiam do alvo estabelecido por Deus. Se todavia alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e Ele mesmo é a propiciação/cobertura para os nosso pecados, e não somente pelos nosso próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.
Dito isto, lembremos que o amor sempre tudo sofre, mas também cobre eficientemente a vergonha, não a nossa própria, mas do outro. Acoberta em silêncio, não propaga, não divulga, não expõe, não abre o alçapão do porão escuro de ninguém, não desnuda publicamente as pessoas que já estão marcadas pela culpa, e sensibilizadas pelo arrependimento.
Nossa proposta exposta aqui é de nos aliarmos ao padrão das Escrituras para provocar as mudanças necessárias para que a disciplina de nossas comunidades cristãs e nosso tratamento com as pessoas ao redor sejam munidos de mantos de proteção que venham a dar apoio, calor humano e abrigo a quem foi descoberto em alguma falta. Essa pessoa precisa ser acolhida e restaurada. Esse é o alvo do amor. Soerguer para que volte a amar a Deus e a viver na plenitude de alegria da caminhada cristã.
O que for diferente disso, é religiosidade sem sentido.

Um comentário:

markeetoo disse...

pow que texto bonito, hein.
que nós aprendamos com o Mestre.
Infelizmente, nós com nossa tendência a querer ter o controle, queremos ver punição, queremos que quem errou seja castigado de alguma forma, queremos pelo menos que a pessoa se envergonhe por aquilo.
É bom ver que o amor de Deus é a referência, e não o nosso.