SEGUNDA FEIRA INGRATA

Silêncio na alma
Estática repetitiva: dor.
Gruta escura,
paredes úmidas escorregadias
vultos negros rastejantes, indistintos
Ar rarefeito sufocante,
Grito estragulado no nascedouro
Turbilhão de memórias imorredouras
De irreais transitoriedades
Solidão em meios aos sós da existência
Sons, vozes, risos, ecos distorcidos à distância
Sussurros, ao redor, toques impessoais,
multidão de entes de andares trôpegos,
roda viciosa de silhuetas mortais,
nenhum que amenize a dor
ou traga um filete de livre consciência
Ar, sol, luz, cheiros, toques, palavras,
músicas, olhares, amores...
Elementos equidistantes orbitam meu ser;
Carapanãs existenciais tocando violino estridente.
Dedos trêmulos desferam círculos incertos
Buscando agarrar realidades palpáveis,
em vão, nada conseguem reter.
Alma, aquieta-te!
Descansa nas mãos inabaláveis
Do Mestre que dorme no temporal
Em meio à tormenta te da certeza
Devolve a paz esquecida,
Pulso lateja compassos firmes,
Poros abrem-se, transpirando vida
Volta a alegria ao coração errante;
Brota livre o veio da esperança!
Segunda –feira ingrata,
Transforme-se em dia radiante!**
*P.S.1.
Minha mãe era uma uma pessoa ímpar, com seu jeito altivo e suas frases inesquecíveis. Quase sempre, depois de um fim-de semana agitado de passeios aos balneários de águas geladas e escuras dos igarapés nas imediações de Manaus, ao acordarmos às segunda-feiras meio cansados, reticentes e marrentos, ela suspirava e dizia: ‘Ah, Segunda-feira ingrata!”, daí, o título intrigante dessa postagem.
*P.S.2:
Texto elaborado hoje de manhã, ao acordar com o coração pesaroso, carregado de expectativas frustrantes, de dúvidas e incertezas, fruto de uma leve depressão.
Mas isso não há de ser nada, como diz meu pai. Isso também há de passar!
Comentários
Humberto (Amigo do Maiko)
Bom saber que sabemos a quem recorrer em momentos como esses.