Porque Saí da Igreja Institucional

Compartilho com todos vocês um grito de desabafo de dois anos atrás. Nesse texto escancaro meu coração e exponho meus sentimentos mais íntimos em uma época difícil de minha vida. espero que vocês sejam muito edificados.
Desliguei-me da Igreja Institucional porque quero tão somente viver o evangelho conforme Jesus, como Boas Novas de salvação e redenção que mudam o homem de dentro para fora e o faz ser reflexo de Sua graça, impactando o meio em que vive pela essência perfumada que recende do interior para o exterior e que dá vida e esperança ao mundo apodrecido.
Desliguei-me da Igreja institucional porque à semelhança de Dom Quixote de la Mancha lutando contra moinhos de vento, ali também se propaga uma inóqua batalha contra os moinhos de vento dos usos e costumes, campo de lutas onde se intrometem na vida das pessoas em uma área restrita que só diz respeito à Onisciência de Deus e a consciência livre de cada um.
Desliguei-me, por ver a instituição julgando as pessoas pela aparência, dando valor extremado a coisas periféricas (exemplo: se alguém usa brinco ou não, se usa tatuagem ou não, se bebe ou não, se ouve "música mundana" ou não, se vai pra show "do mundo" ou não, etc.) sem se ater às verdades essenciais que transformam o homem em seu íntimo/interior, compartimento onde Deus se agrada em ver simplesmente a verdade (Sl51:6).
Desliguei-me, porque creio que a Igreja Institucional se perdeu no vácuo da superficialidade das proibições, e se afastou diametralmente do alvo maior da mensagem cristã que visa a maturidade em Cristo, que o Novo Testamento intitula de espiritualidade humana (1Co2:15; Ef4:13) e liberdade consciente (Gl5.1), esfera subjetiva onde o homem que é atingido pela mensagem do Evangelho é equipado pelo ES para saber, por ele próprio a diferença entre o certo e o errado e a julgar todas as coisas retendo o que é bom, sempre passando pelo filtro do julgamento da Palavra, todas as esferas da vida (1Tes5:21,22).
Desliguei-me, porque a Igreja Institucional preocupa-se mais com regras e cabrestos, do que produzir a consciência livre para decidir em Cristo à luz de Sua Verdade, quais escolhas, opções e decisões deve-se tomar.
Fácil é colocar os cercadinhos na creche e limitar as ações dando palmadinhas inócuas nos meninos levados que nunca vão amadurecer para tomar suas próprias decisões.
Fácil é extipular normas que nunca deixam as pessoas pensarem por si mesmas, arrastando-as para uma espiritualidade rasa, confusa e esquizofrênica, baseada no medo, na ameaça e na intimidação.
Essas iniciativas antibíblicas só tendem a desenvolver cada vez mais chicotes mortais que levam os crentes a se tornarem cínicos masoquistas adoentados, os que ficam repetindo sempre, plenos de excitação: me bate, que eu gosto!
Chicotas morais só impedem cada vez mais o livre crescimento da igreja em direção à maturidade consciente, por cercear a liberdade, o exercício pleno da razão e o discernimento com bom senso.
Essas chicotadas do ore mais, esses azorragues do jejue mais, do contribua mais,do freqüente mais, essas chibatadas do não faça isso, não faça aquilo, só produzem gente mais linguaruda, mais reduzida, mais fechada, mais julgadora, mais impiedosa e mais legalista.
Saí da Igreja Institucional porque não tolerava mais ser membro da Igreja Esteira de Produção onde todos têm a mesma cara, a mesma farda, os mesmos gestos e os mesmos pensamentos. Nesse tipo de igreja, infeliz de quem se veste diferente, de quem pensa um pouco mais, de quem escolhe os caminhos da inteligência, de quem expõe honestamente seus pensamentos e emite conceitos diferentes do que a "diretoria da fábrica" decidiu dogmaticamente ser o certo.
Depois que passei pela varredura do scanner do olhar de Deus e por todas as provações neste ano de 2007 (e não mudaria nada se me fosse dada a oportunidade de mudar a história) me sinto hoje mais burilado, mais forjado pela fornalha da provação, mas também me sinto grandemente enfadado da religiosidade da Igreja Institucional.
Hoje, não tenho mais "estômago" para participar de burocracia de igreja, de concorrência, de suar a camisa para ser reconhecido pela "cúpula" e receber partículas ínfimas de migalhas de atenção.
Hoje, não me apetece pertencer a uma denominação seja de que formato for. Não sou mais tentado em fazer parte de uma elite eclesiástica que proclama que "fora de minha igreja (doutrina, conceito, dogmas, regras) não há salvação".
Hoje, não tenho mais a preocupação de ser ameaçado cair fora da estrutura e de não ter mais a aprovação e o reconhecimento da "corporação", porque já caí fora e não tenho mais qualquer tipo de ambição nessa área.
Hoje, não me interessa mais defender minha reputação como pastor. Aliás, nem ser chamado de pastor eu quero mais.
Quero ser reconhecido antes como um servo, um conselheiro, um facilitador, um ajudador, um conspirador do Reino sem título e sem condecorações.
Alguém que aspira viver o Reino aqui e agora, que ajude outras pessoas que foram feridas, incompreendidas e machucadas na Igreja Institucional ou fora dela, a encontrarem a vereda da paz e o conforto em um ambiente aconchegante e a acharem o caminho simples do Evangelho da Graça, como Jesus ensinou.
Creio que isso é o bastante.
Manoel Filho
Manaus, 3 de outubro de 2007
Comentários
...Confesso que hj pela primeira vez não me limitei em ver apenas as suas caricaturas, que por sinal gosto muito,...Gostei, ou melhor, adorei o texto...A partii de hj me comprometo em ler todos os anteriores, aliás, estou ansiosa por lê-los...Parabéns!
Deus abençoe ae!
Concordo plenamente!!
Marcos.
se ligar no q realmente importa
e no q ralmente eh o evangelio
parabens Deus abencoe
abracosss