quinta-feira, 9 de julho de 2009

DESCONSTRUINDO O MITO DO DÍZIMO


Tem gente que vai querer me fritar no "caldeirão da heresia", bem fritadinho. Mas entre ter respeitos à tradição e a falar a verdade, eu prefiro falar a verdade e ficar do lado da Palavra de Deus.

Mas de que mito estou me referindo?
Que a instituição do dízimo é uma obrigação compulsória para os nossos dias, com reprimendas e castigos indescritíveis para quem não os dá sistematicamente à igreja local.

No AT, o dízimo era sim, um mandamento obrigatório que deveria ser cumprido à risca, ligado ao contexto de um regime teocrático, onde era exigido de todas as tribos de Israel, levado a efeito com força de lei tributária, visando à manutenção do templo, o pagamento de seus funcionários, e a atender as necessidades relacionadas aos pobres do reino de Israel, os quais não deveriam existir.

Mas no NT, no entanto, não há referência ao dízimo como mandamento normativo obrigatório (a não ser que a referência a respeito de Jesus criticando os fariseus, que davam o dízimo, mas esqueciam de praticar as virtudes mais importantes como praticar a justiça e agir com misericórdia, seja usada pra defender o dízimo no NT e sermos comparados a fariseus legalistas. A referência de dízimo antes da lei, perpetrada por Abraão dando o dízimo a Melquisedeque, sacerdote da Justiça, é uma clara referência da graça sobrepujando a lei, e mostrando que o dízimo foi entregue com inteireza de coração e fruto de gratidão espontânea diante de Deus).

No NT, inclui-se um princípio universal muito mais comprometedor do que o dízimo, baseado na inteireza do discipulado que envolve a mordomia consciente da vida cristã como um todo, incluindo o dinheiro, que deve ser visto como parte integrante do culto da vida diária, como área restrita de fórum íntimo, devendo o cristão colocar suas finanças à inteira disposição do reino, através de ofertas voluntárias, sendo dadas com generosidade de coração, com alegria, e de acordo com a liberalidade do coração. Se for assim, então não precisará que qualquer líder (ainda mais um pastor!), fiscalize ou cobre sua colaboração financeira na igreja de Cristo.
Olha, Se você quer continuar a ser dizimista, tudo bem, melhor que nada! Mas saiba que dízimo é rudimento (noção superficial do início da fé). E não se orgulhe tanto de ser dizimista, pois isso é o mínimo do mínimo no Reino de Deus.

No NT, o ensinamento geral que se derrama sobejamente é a da integridade do ser, em colocar toda a vida à disposição do Reino, sem dicotomia, sem departamentalização que divide a vida cristã em áreas estanques. Tudo isso, à luz da verdade, e tudo sob o domínio do Reino que abrange casamento, sexualidade, relacionamentos, emoções, decisões, planos, posses e finanças, não só 10%, mas tudo à disposição do Reino.

No NT, o cristão maduro deve estar atento e sempre disponível para que a obra de Deus seja sempre mantida sem solução de continuidade, e as necessidades das pessoas carentes da comunidade e ao redor dela sejam supridas substancialmente, sob todos os aspectos, independentemente de sua contribuição ser 10%, 30% ou 50% de seu salário, por que isso vai conforme o coração de cada um, sem necessidade nenhuma de pitbulls do departamento administrativo da igreja ficar cobrando você de forma constrangedora.

O cenário real de tudo isso, na prática, é que toda essa cobrança neurotizada para os membros das igrejas darem seus dízimos, tem eclipsado a insegurança, a falta de fé e de dependência de Deus de muitos líderes de igreja e encoberto a motivação real por detrás da máscara, a ganância camuflada de muitos pastores e líderes, que tem transformado o dízimo em inextinguível combustível para alimentar a adoração de Mamom e sua avidez por dinheiro, quando intimidam o povo desavisado e ingênuo obrigando-o a dar o dízimo, oferta, títulos, jóias, cheque, o que tem e o que não tem, e o “escambau à quatro”, visando a construção de seu império e de seu próprio sustento, nem sempre baseada na simplicidade e singeleza do Jesus que dizem servir, numa tremenda falta de ética e modéstia, e apoio bíblico, o que é mais repugnante.

Diante de tudo isso, não significa que não creio em contribuição para a obra de Deus. Creio e observo essa prática normalmente em minha comunidade. Mas tento ser bíblico!

Como?

Não mentindo, dizendo ao povo que dar o dízimo é dever obrigatório do cristão.
Não mentindo, dizendo que Deus vai vingar, vai mandar gafanhotos e demônios de toda espécie para dilapidar sua renda se não for “fiel dizimista”.
Não se falando em valores na hora do culto, constrangendo as pessoas que vieram para adorar a Deus.
Não julgando quem não dá o dízimo, segregando-o e tratando-o como sendo um indigno crente de segunda categoria (mesmo por que não sei se esse membro que não está alistado no rol de dizimistas, não seja um tremendo colaborador do reino e que modestamente, sem alardes e sem firulas, ajuda financeiramente pessoas carentes e contribua para que muitas pessoas sejam beneficiadas através de suas finanças,e se isso é feito com inteireza e na verdade, não há ninguém que possa interferir no culto sincero no altar do coração, mesmo não passando pela aprovação e obtendo a rubrica da instituição!).

Mostrando que o que se requer, são contribuições que sejam fruto da fidelidade, da liberalidade e da generosidade de cada um, de acordo com suas posses.
Mostrando que há grande crescimento sem precedentes na vida espiritual e material daquele que decide por si mesmo, ser um contribuinte comprometido da obra do Reino de Deus, através da igreja em que congrega.
Mostrando finalmente, que Deus não precisa de fiscais da vida financeira dos membros da igreja, pois Ele é soberano, O Dono da prata e do ouro, e Ele inclina e constrange quem quer para sustentar a obra que é Dele. Se Ele quiser, manda codornizes, usa corvos para trazer carne e pão, e sempre se utilizará de pessoas-chave que vão patrocinar Sua obra, para que essas obras que são realizadas Nele, jamais se extingam.

Contribuição na igreja deve sempre ser realizada com motivação certa, visando a GLÓRIA de Deus.

Sendo assim, jamais a obra que é de Deus será afetada ou diminuída por quaisquer crises ou declínios financeiros no país e no mundo.
Porque a obra de Deus cresce e se sustenta, mesmo quando dormimos (DESCANSAMOS), para depois vermos espantados o crescimento extraordinário da planta (obra), sem que tivéssemos qualquer poder ou influência nesse crescimento.

20 comentários:

Pr Lyncoln Napoleão disse...

Ótimo texto. Deus te abençoe!pp

markeetoo disse...

realmente esse assunto ae é polêmico, quando se vê que muitas igrejas dedicam quase metade dos seus cultos só pra falarem de dízimo eheheh.
gosto dessa idéia de que a totalidade é que importa. Não adianta eu dar 10% da minha grana e viver endividado, ou enganando os outros, ou fazendo qualquer coisa q desagrada a Deus por ae. É claro que se eu quero que a minha igreja tenha condições de pagar as contas eu vou ajudar neh...

Edjane disse...

Esse assunto é bem polêmico que sempre me deixou com a pulga atrás das orelhas, pq pra mim dizimo é isso, uma oferta feita com amor e não por obrigação ou medo de não prosperar, do gafanhoto devorador me levar tudo q tenho etc... Já conheci igrejas que dedicam um culto inteiro por mês para falar de dízimos, dos devedores, enfim constrangimento e pressão psicológica sem fim para quem não depositou ali seus 10%. Sou a favor sim da contribuição para manter a igreja, a obra e ajudar o reino, mas não por medo, mas por ter um coração generoso.
Ótimo texto! Deus o abençoe sempre!

Expressão em ação - Blog do Antonio Carlos Junior disse...

Bons argumentos...
Concordo com as justificativas sobre as verdadeiras motivações de ofertar ao reino e dos absurdos que fazem com esse tema na igreja.
Mas eu realmente tenho dúvidas a respeito da obrigatoriedade. Tudo bem que no NT não existe uma citação clara sobre o dízimo, mas isso descarta o que se fala no Velho Testamento? Quero dizer, a bíblia não é unidade?
Desculpa questionar, pastor. Mas eu fiquei curioso e com muita dúvida.
Ótimo texto! Parabéns!
Grande abraço!

Alexandre Silva disse...

É uma interpretação corajosa, e, só faz interpretação corajosa quem tem coragem, por isso, pastor, lhe dou os mais sinceros parabéns em trazer à baila, tão importante tema, que, tem sido tão explorado negativamente por algumas igrejas com pastores desprovidos de compaixão humana.

- The Reverend - disse...

Não preciso dizer muita coisa.....

Estava esperando este artigo a muito tempo.......

O dizimo de fato é algo biblico, mas nao obrigatorio a igreja neo tetamentaria.......

outra coisa é q o uso dessa pratica mostra o quão miseraveis sao os q tem posses pois dizendo-se indulgenciados pela falsa seguranca de 10% acham-se na posição de Credores dos favores divinos.

A certo tempo eu acreditava nesta pratica...mas depois de perceber o quanto ofendia ao meu Pai eu a rejetei imediatamente...

Mais uma vez o Manel tah de parabens....demorou mas finalmente postou....

Liev disse...

Belíssimo texto, espelha o caráter do pastor que encontrei no Abrigo, que vive para cuidar das ovelhas e não para... whatever...
grande abraço!!

Tiago Paladino disse...

Mto bom texto pr...
Realmente o tema é polêmico mas necessário de dicussão..
Esclarecimento de um grande pensador e conspirador do Reino..

fui mto edificado!!

Raquel Mustafa disse...

Para mim dízimo sempre foi um assunto muito delicado e complexo.
Mas lendo o texto percebo que o dízimo é na verdade uma prova da sua fé, ou talvez o reconhecimento das bençãos que o Senhor tem lhe dado, assim, cada um deve de demonstrar a Deus (somente a ele) o tamanho de sua fé ou gratidão.
Creio que a imposição do dízimo no AT já tinha um dedo de Deus querendo ensinar ao homem o valor da gratidão, pois Ele sabia que um dia iria enviar seu filho para pagar por nossas transgressões, e nos dias de hoje, podemos também reconhecer isso através do nosso dízimo, não apenas em dinheiro mas em tempo e outras diversas áreas de nossas vidas.

Laiana Pascarelli disse...

por isso que eu sempre fui sua fã!
ótimo texto, adorei.

AlyCampos disse...

Este texto revela muito do que temos visto e vivido no abrigo R15. Na minha opinião o dízimo é muito mais que uma simples obrigação com a igreja. Vejo-o como um desafio amoroso, no qual Deus deseja tornar-se parte ativa na nossa vida (Não somente a vida financeira). Se entendo que o que tenho vem Dele (Graça) e vivo os sonhos do Reino(Os sonhos de Deus), o dízimo torna-se uma liturgia diária fantástica, onde tudo o que sou(Finaceiro também)está sempre disponível pra fazer que o Reino de Deus se estabeleça entre os nossos irmãos. Mas, o dízimo institucional também é importante pois a obra tem que presseguir. Eu não sou daqueles que coloca o nome no envelope pra estar na lista de dizimistas, prefiro ficar de fora dessa lista.. mais não deixo de honrar o meu Deus em tudo o que dele recebo, acho que a questão é mais de amor do que de números. Parabéns Manel..

Marilena Silva disse...

Muito bom o texto, corajoso, até pq vc é um dos trabalhadores do Reino, mas nós sabemos que antes de tudo somos chamados por Ele e é Ele quem sabe do que precisamos.

janssem disse...

Sempre polêmico, mais sempre com sabedoria seus textos nos fazem de fato refletir sobre a verdade e o que realmente importa no Reino de Deus. Sou privilegiado de compratilhar dos mesmos pensamentos e viver na comunidade R15.

Watanabe disse...

Esses dias minha mente se abriu pra essa verdade, antes, vivia meditando sobre os meses que naum dei o dizimo e mesmo assim Cristo sempre me fez prospero!
Eh isso ai pastor! ta na hora de os novos Luteros comecarem a protestar, aos poucos estamos falando sobre esse assunto na Radio Intercessao. www.radiointercessao.com
Grande abraco!

Guilar15 disse...

"dízimo é rudimento (noção superficial do início da fé). E não se orgulhe tanto de ser dizimista, pois isso é o mínimo do mínimo no Reino de Deus."
Gostaria d conhecer mais pastores com coragem suficiente pra declarar isso aos membros d suas igrejas. (Muito bom texto Manel)
Declarações assim revelam o quão confiante és no Deus Jirê q td provê e tb mostram sua fidelidade em reconhecer essas verdades e não guarda-las consigo c medo d não conseguir pagar as contas e pior ainda c o intúito d se beneficiar da falta d conhecimento dos irmãos, como sabemos q tantos outros fazem.
Hj sou vacinado nesse assunto, afinal a visão do Abrigo sempre foi essa, da totalidade e da liberalidade pessoal d cada um.
Desde o início, q agente fala pro Porto a respeito d DICOTOMIA, né, Hahahaha.
Mas (no passado),minha crise em relação a esse assunto sempre foi no quesito: "Onde e se as finanças estão sendo aplicadas onde devem ser aplicadas"
Sempre fui dizimista fiel, desde lá na igreja em Recife e sem dor na hora d dizimar entende? Mas lembro-me d ter, por alguns meses, dizimado não a igreja mas à pessoas e ministérios quando comecei a analizar a má distribuição da arrecadação mensal d minha igreja.
O Pastor durante o dia trabalhava numa boa empresa, tinha um ótimo salário e ainda recebia metade d toda arrecadação da igreja, enquanto q alguns irmãos idosos tinham necessidade com remédios, outros estavam desempregados, até diáconos q passavam por necessidades e todos recebiam a seguinte resposta de púlpito: "... a igreja não tem obrigação..." Isso doia.
Mas mesmo assim crêio q dizimamos a Deus e não a instituição, o q a liderança fará c a arrecadação é com ela e Deus. Ela prestará contas ao Senhor da vinha, ao Viticultor. (Aki no Abrigo não preciso me preocupar com isso)
Abração

madson disse...

Tudo que esta na biblia serve para toda humanidade, lei mandamentos e por que não dízimo. teriamos que fechar os olhos para malaquias 4, e ou ate mesmos referencia do novo testamento como o da viuva que levou sua oferta ao altar e Jesus estava olhando.

manoeldc disse...

meu querido irmão, deve-se ater a malaquias 3 e não 4. e a viúva elogiada por Jesus, foi exaltada não por dar o dízimo mas sim, por dar uma oferta que envolvia tudo, a vida, o coração, e toda a vida, tema que defendo nesse texto. no NT NÃO EXISTE DÍZIMO, MAS SIM OFERTAS DE CORAÇÃO, MOVIDAS PELA GENEROSIDADE E A TOTALIDADE DO SER.

Anônimo disse...

Mais um adepto da dicotomia entre Lei e Graça, AT e NT. Esqueceu que Deus é Deus de pactos e que o dízimo antecede a Lei, ao AT e ao NT. É um princípio eterno!

Revise seu texto.

Ricardo - O Crente disse...

Parabens pelo texto ...

Anônimo disse...

Polemica ou não com relação ao dizimo,não bem ao caso.A realidade do dizimo se encontra no antigo testamento,algumas pessoas dizem ser obrigatorio biblicamente o dizimo incluindo o tempo da graça.Não encontramos nenhum mandamento no novo testamento que obriga a dar dizimos,encontramos sim ofertas voluntarias constribuições para o alimento de todo aquele que trabalha na obra de Deus como para os necesitados.Peço ao Pastor Manoel examinar de forma contundente a palavra de Deus,cada um dara conta do seu conportamento perante o tribunal de Deus.Deus abençõe todos Vcs.