quarta-feira, 15 de julho de 2009

DESCONSTRUINDO O MITO DO SEXO NA IGREJA



A igreja institucional até hoje ainda não está preparada para tratar de assuntos ligados à sexualidade. O que vemos na prática, é o sexo sendo usado como “boi de piranha” para tentar expiar inutilmente sua completa falta de competência e sabedoria ao abordar um assunto tão corriqueiro e tão presente no NT do tempo de Cristo e dos apóstolos.

Sexo na igreja é caça as bruxas, é fogueira de inquisição e é tratado como tabu de idade das trevas. Sempre aplicado com disciplina extrema, como tratamento de choque, como bisturi afiado que não só extirpa o tumor maligno, como também arranca fora o membro inteiro, provocando hemorragia e morte irreversível no paciente/membro. Sexo na igreja é abordado como remédio e nunca como preventivo que visa restaurar e redirecionar o “ofensor” ao caminho da libertação.

O problema é que a liderança e conseqüentemente as ovelhas geralmente se utilizam de textos da Bíblia, correlacionados à santidade e à pureza moral como arsenal para detonar quem não anda no padrão da igreja. Os pastores fazem terrorismo do púlpito e os membros se tornam uma revoada de vampiros sedentos por sangue de criaturas fracas que caem no pecado.

Geralmente o sexo e suas variantes se tornam o bode expiatório da igreja, e via de regra, a única forma de disciplina existente. Expõe-se o problema, mata-se o problema e a igreja respira aliviada, com aquele senso de dever cumprido. Uma sensação enganosa que caracteriza insensibilidade impiedosa que exclui e mata.

Vocês já viram a mulher mais linguaruda da congregação, aquela que detona todo mundo, ser disciplinada por fofoca? O líder mais empavonado e podre de orgulho da igreja ser disciplinado por soberba? O empresário sonegador de impostos com o nome sujo na praça ser disciplinado por trambique? A irmãzinha intolerável que dá patada no vento e que trata todo mundo mal e critica sumariamente todos que vê pela frente ser disciplinada por julgamento indevido aos irmãos?

O que se vê mesmo é que aqueles que incorrem no pecado sexual são os que sempre sobem no banco dos réus, para depois serem banidos do meio “cristão” como laranjas podres que são retiradas do saco da igreja e jogadas fora na sarjeta da vida.

No contexto do NT Jesus trata esse assunto com naturalidade, dizendo que olhar com intenção impura é reação universal, (todo o que olhar, ou quem já não olhou... e quem não tiver pecado...) que o assunto deve ser tratado de dentro pra fora naquela área da interioridade do homem onde o ES pode transformar, e à medida que esse homem vai se aproximando de Jesus para andar com Ele, e tratado gradativamente no caráter dele, pode adquirir o caráter Dele, o que é bem melhor! Daí pra frente, santidade, pureza moral, fidelidade e respeito ao sexo oposto vem a reboque, como fruto do relacionamento com Jesus e não como regra da instituição, que no máximo, consegue reproduzir um número excepcional de hipócritas ou atores que atuam com máscaras.

Ao meu ver, o “tratamento” ideal para lidar com assuntos ligados à sexualidade e que acompanha o espírito do NT, é que o membro que incorreu no pecado sexual, adulterou, teve envolvimento sexual antes do casamento, revelou atitudes homossexuais, se masturbou, cheirou o cangote da irmãzinha, etc, deveria ser amado incondicionalmente por todos, e ao invés de “darem gelo” ou o expor vergonhosa e publicamente diante da igreja, ao contrário, deveria ser coberto de amor para não ser exposto em sua vergonha.

Veja bem. depois de passar pela “bigorna” de conflitos variados de consciência, pelo crivo das acusações externas, pelo pesar de ter contrariado a vontade de Deus, de se vê diante da culpa real, se arrepender e confessar espontaneamente, deveria ser considerado herói por ter sido transparente, e como membro mais frágil, recebido com maior honra e maior dignidade no seio da comunidade, para depois ser reconduzido a uma vida livre e plena de envolvimento com Jesus, o único que pode curá-lo completamente com Sua Verdade que Liberta, isso de dentro pra fora, e através de Seu corpo, a igreja verdadeira que por meio de ações solidárias de irmãos maduros que se nivelam e amam sem barreiras, vai gerar um homem que vai continuar a andar na luz do Senhor, completamente restaurado pela graça benfazeja do Deus que nos compreende plenamente.

Os que não conseguem se libertar com facilidade, que reincidem e resvalam no erro, deveriam ser reencaminhados para tratamentos de aconselhamento específico e direcionamento psicológico de apoio, e principalmente, acompanhados de perto pela liderança, com cuidados dobrados. O que quero dizer é que pra se considerar alguém irrecuperável é praticamente impossível. A igreja tem o dever de ir até as últimas conseqüências e salvar o membro adoecido.

Infelizmente, o reverso da moeda é que centenas dessas maçãs podres jogadas no lixo poderiam ter passado pelo milagre da restauração pelo amor incondicional, mas até hoje estão amargando decepções e amarguras inomináveis que poderiam ser muito bem evitadas pela igreja.

6 comentários:

Raquel Mustafa disse...

Realmente este tema e a sua visão dele estão retratando a mais pura realidade. Pois as pessoas esquecem de analisar o meio, querendo ou não, vivemos num mundo onde a maioria de suas mensagens convergem para o tema que fala sobre "prazer sexual", "fazê-lo sem se importar com o outro" e coisas assim, a mídia trabalha com este tema independênte de idade ou sexo.
Deus mesmo fala na Bíblia que não existe pecadinho ou pecadão, tudo é pecado, e o pecado nos afasta da Sua presença, o que nos torna vuneráveis. E é exatamente este conceito que devemos ter quando tivermos a oportunidade de ajudarmos o outro, devemos usar a virtude do amor incondicional.
Pois aquele que se achegar a Deus poderá usufruir da sua presença e assim amar e respeitar sexualmente ou moralmente seu próximo.
No fim lembro do meu pai falando pra mim: ... "minha filha, um homem só pode ser fiel a outro se for fiel a Deus"....

Edjane Macedo disse...

Sei lá, esse tema é muito complexo que deveria ser tratado com mais sabedoria dentro e fora da igreja, pq o q aprendemos é q sexo é imoral, pecado mortal, sujo etc.. E na verdade não é isso, melhor seria aprendermos que é uma coisa boa, prazerosa, mas tem suas conseqüências qdo feito fora da vontade de Deus, só assim as pessoas teriam mais liberdade para procurar ajuda e expor seus problemas e saber que encontrará apoio e não repreensão, critica e humilhação ao ser exposto publicamente como uma pessoa sem jeito. Gostei muito do texto.

markeetoo disse...

Acho que um dos assuntos que a igreja tem mais dificuldade de lidar esse... talvez o maior tabu.
Já tratou isso por tanto tempo de um jeito que ao meu ver não é o ideal que é difícil imaginar outra maneira.
O triste é que tem tanta "cria" de igreja com problemas nessa área por culpa das igrejas. Muita gente com dificuldade, meio paranóica em relação a uma das melhores coisas que Deus nos deu, que é o sexo e que mesmo depois de casado se sente sujo, pecador por estar praticando tal ato.

Alexandre Silva disse...

Sexo é o melhor prazer que existe na face da terra. O homem inventou muitas regras para conter a forma animalesca de encará-lo. A igreja não ficou à margem dessa alienação. É claro, pastor, que é errado essa conduta que só afasta mais os jovens e mesmo os adultos da igreja ou os torna cada dia mais hipócritas, vendedores de imagem, e, como dizia Jesus: Brancos por fora e pôdres por dentro.

AlyCampos disse...

Essa série desconstruindo mitos é super polêmica. Brincadeiras aparte, o sexo realmente é um ponto complicado de ser tratado, como é algo que de alguma forma nos atinge a todos, de uma ou outra forma, preferimos deixa-lo meio que no baú, ali, pra depois..mais realmente precisa ser encarado de uma forma diferente, pois a questão da santidade precisa ser encara de uma maneira madura em cristo.

Guilar15 disse...

Estou d volta ao Blog ok Manel?
Como sempre, muito bom o texto e a abordagem graciosa do assunto. Características batidas do q o senhor escreve.
"Boi de Piranha" ??? Hehehe
Realmente se as igreja fossem disciplinar por fofoca e julgamento, fico pensando se os pastores teriam coragem d ministrar a ceia pra ninguém, nem pra eles mesmos.
É verdade Markeetoo, "um dos maiores tabús".
Tb concordo c o Alysson, "de uma forma ou d outra atinge a todos nós" afinal somos seres dotados d prazer e de desejos, e como o senhor parafraseou Jesus, o sexo não está apenas no ato, mas tb na intenção.
Penso q exatamente por ser tão atual e latente, devemos sempre abordar esse assunto, e é claro, nessa pespectiva da graça.
Mas é isso mesmo, td em nossa vida depende do nosso relacionamento c o Pai. Td é reflexo!
É nesse relacionamento q deve estar o nosso foco.
Show d bola pensar e meditar nisso.
Valeu pastor!