quinta-feira, 2 de julho de 2009

PORQUE NÃO VOU À IGREJA?



Eu hoje raramente vou à igreja, e se vou é para cumprir algum compromisso social. E como o Abrigo R15 não é igreja nos moldes institucionais, é onde me refugio a cada fim-de-semana, juntamente com outros irmãos que estão fugindo do padrão desgastado da igreja tradicional.
Mais um livro bom surge no cenário cristão, mas que certamente muitos que se acham porteiros do céu, vão “chiar feio” e vão querer queimá-lo na fogueira, como aconteceu nos tempos da inquisição espanhola e do nazismo de Hitler.


PORQUE VOCÊ NÃO QUER IR À IGREJA? É um livro escrito pelos autores reconhecidos Wayne Jacobsen e Dave Coleman e que versa sobre um líder de uma igreja tradicional, que é confrontado pelos argumentos de um misterioso e fascinante João, sendo assim chacoalhado por todos os lados em sua estrutura de fé, em suas crenças, e em sua forma de viver na tentativa de agradar por todos os modos, as pessoas da igreja e de seu esforço sobre-humano em ser sempre aprovado pelo grupo.

É um livro inteligente e instigante, elaborado com criatividade aguçada. Penso que esse livro chega a ser mais provocante ainda do que A Cabana, por que A Cabana mexe com conceitos ligados à teologia e a maneira que Deus se manifesta às pessoas, mostrando Seu caráter absolutamente gracioso, em contraste com o Deus “Bicho-papão” Apócrifo de muitos seguimentos da fé. Esse outro livro (PVNVAI?), a meu ver, é muito mais provocador, Pelo simples fato de mexer visceralmente numa área nevrálgica que no meio gospel ninguém ousa tocar, que é a exaltação do ego e o status dos que constroem uma reputação intocável pra crente ver, e jamais questionar.

É absurdamente chocante quando o livro desmascara essa ênfase nefasta que permeia hoje a cristandade baseada no bom desempenho e no currículo, que aplaude e premia com medalhas e troféus as pessoas bem-sucedidas e vitoriosas, mas que desclassifica severamente e joga fora os que não são tão bons, os que não têm a melhor performance, e os que revelam fraquezas na vida. Jesus jamais fez isso. Ao contrário, Ele é nosso Sumo-sacerdote que é apto para se compadecer de nossas fraquezas, pois sofreu na carne, como homem. E Ele não expôs um manual de regras para ser seguido, para depois premiar uma nata reduzida de santarrões inerrantes que cumprem as normas e recebem estrelinhas douradas no peito. NÃO. Ele, ao contrário, expôs uma gloriosa caminhada a céu aberto, onde o relacionamento pessoal com Ele é a coisa mais importante, independentemente do esforço e o desempenho de cada uma que o segue. E os que vão ficando pra trás pelo caminho, os que vão perdendo a performance eclesiástica e a cadência litúrgica, Jesus volta, anda no compasso deles caminho afora, sem jamais cobrá-los ou descobrir suas falhas, mas aceita-os incondicionalmente.

No livro gostei muito quando João diz ao Jake Colsen: “Estou me referindo ao seu relacionamento com o Deus vivo, não com a instituição. Em vez de promover espetáculo, deveríamos nos reunir para celebrar a obra Dele na vida do Seu povo. Em vez de ficar imaginando o que fazer para que as pessoas ajam de forma mais “cristã”, deveríamos ajudá-las a conhecer melhor Jesus e deixar que Ele as transforme de dentro para fora. Isso revolucionaria a vida da igreja e a vida dos fiéis. Mas não começa ali – apontou para as portas do santuário – e, sim aqui – E bateu no próprio peito”.

O velho texto paulino: Pela graça sois salvos mediante a fé, e isso não vem de vós, é dom de Deus, não de obras, para que ninguém se glorie, é bucha de canhão para a igreja chamada gospel detonar as seitas que considera hostis ao Evangelho, mas é incrível como essa mesma igreja exclusivista vive hoje o seu apogeu de venda de indulgências, e o seu mais alto grau da teologia de obras meritórias e quase ninguém faz nada para reter o avanço disso.

Se desempenho humano fosse bom, certamente essa modalidade de igreja triunfalista não produziria tanta decadência no seu comportamento ético-moral, não teria tanta mentira e tanto escândalo no meio da sociedade, e não reproduziria tanto “crente” medíocre e “sem noção”, como tem gerado nesses últimos tempos.

Laurence Martins, ao comentar neste blog sobre a igreja de hoje ser mais árvore da hipocrisia do que árvore da verdade cita o livro de James Spiegel “Hipocrisia”, comentário que transcrevo aqui literalmente:
“O livro cita Lutero, que também tem suas opiniões sobre a tal da 'máscara' e sua realidade dentro da religião. Ele diz, "superstição, idolatria e hipocrisia recebem altos salários. Mas a verdade tem passado fome."
Spiegel tenta desvendar os tipos de hipocrisia e o livro se torna algo profundo e impactante.
Dá uma olhada nesse silogismo:
1. Se os cristãos são moralmente redimidos por sua fé em Jesus Cristo, então eles deveriam ser mais inclinados do que a maioria a ser sinceros quanto às suas condições morais.
2. Os cristãos não são mais inclinados do que a maioria a ser sincera quanto as suas condições morais (na realidade, eles são mais inclinados do que a maioria a enganar os outros quanto ao seu verdadeiro estado de piedade.)
3. Os cristãos, portanto, não são realmente redimidos em sua moral por meio de sua fé em Jesus”.

Muito chocante, não?
Porque essa é a realidade nua e crua. O saldo negativo da igreja de hoje é assinalado pela hipocrisia descarada, pela improdutividade e pela multiplicação de uma massa que quase nada faz para a melhoria da sociedade e do meio ambiente. Nesse sentido, o povo que se diz redimido, não tem sido veículo de redenção em nada consistente na sociedade em que vive.

Combater essa máfia religiosa articulada por líderes fraudulentos e mercenários, espelho de uma igreja amorfa e desfigurada, não será algo confortável. Poderá ser que aqueles que se opõem, sejam alvo aberto de suspeitas malignas e da desaprovação impiedosa de muitas “colunas” desse meio gospel. Mas eles podem até queimar livros, mas não queimarão as idéias.
Certamente que há muitos interesses econômicos, políticos, muita vaidade e muita manipulação psicológica envolvida em tudo isso, e sei que muitos líderes que se beneficiam da ingenuidade do povo sofrido, e estão nadando em dinheiro e fama, ficariam possessos de raiva em ver alguém se levantar contra suas falsas doutrinas.

Mas graças a Deus, têm se levantado, nessa última hora, muitos profetas lúcidos que estão tentando neutralizar essa erupção de heresias repugnantes que supuram de dentro da própria igreja, exalando seu cheiro nauseabundo.

Esses inimigos do Evangelho, certamente vão fazer de tudo para detonar mais um livro importante que está despertando a igreja para a liberdade consciente do Filho que liberta, e que voltará humildemente a buscar a essência do evangelho da graça, conforme Jesus Cristo.

Por que você não vai a IGREJA? Eu também não iria, se soubesse da metade do que acontece nos bastidores dessas muitas santas igrejas....santas de pau oco!

16 comentários:

Lindoélio Lázaro disse...

Muito bom e pertinente esse texto.
O livro A Cabana foi lido por muita gente por aqui, principalmente no meio "gospel"; e já ouvi de muitos santinhos que o autor não deveria tratar a Trindade daquela forma, tão simplista. Engraçado... Agora, sei que esse livro "Porque Não Vou À Igreja" não vai ser lido por tantos que se interessaram pelo anterior e que vai ser muito apedrejado, mas fico feliz pelo movimento de indignação que tem se levantado contra tanta hipocrisia no meio Cristão.
Também não vou à igreja há um bom tempo, desde que aceitei ousadamente que o templo do Senhor sou eu.

Grande abraço.

Expressão em ação - Blog do Antonio Carlos Junior disse...

É um tema que produz em mim um certo desconforto mesmo! ( até porque ainda vivo na igreja tradicional), mas acredito piamente nas falhas citadas e que geram muitas das disparidades existentes na igreja. Algumas pessoas se machucam mais do que antes de entrarem nesse modelo, se é que podemos classificar assim.
Acho pertinente a discussão. Infelizmente vamos ter radicais extremistas, sem nenhum fundamento teológico ou civilizado, que vão querer detonar o livro.
Que esse trabalho possa gerar debates edificantes para o conhecimento, e prática, do verdadeiro evangelho.
Um grande abraço!

markeetoo disse...

é.. infelizmente se endeusou um modelo de igreja que foi sendo deturpado com o decorrer dos anos...

igreja são pessoas reunidas com o mesmo objetivo, com o mesmo Deus buscando edificação.

é importante estar no "corpo" de Cristo, mas isso não quer dizer que preciso de um templo, de um prédio chamado igreja com um corpo de pastores, presbíteros e etc. Não que isso seja errado, mas não é a essência. Pode existir um grupo não-institucional que se reune e na realidade não são igreja.

É um assunto polêmico e necessário ao meu ver. Muita pedra vai ser jogada, mas a verdade vai vir à tona, não dá pra tapar o sol com a peneira, tem muita coisa errada acontecendo no meio evangélico, e isso "queima o filme" da mais linda mensagem e mais verdadeira que já existiu. Algo precisa ser feito.

AlyCampos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
AlyCampos disse...

já tô ancioso por ler o livro. Essa igreja mascarada e que se consome em vaidades brinca com o povo sofrido. Que bom que há corajosos que estão tentando abrir as cortinas..vai feder!

Micael Pinheiro Silva disse...

Importante tema. A igreja precisa rever suas prioridades e dar ênfase nas coisas simples do reino.
Sinceridade, verdade, honestidade, humildade e amor devem ser nossas marcas.

Edjane disse...

Estou ansiosa para ler esse livro, com certeza muita gente vai chiar ao lê-lo,mas q bom q tem corajosos para ir de encontro com essa máfia. Hj mesmo vou comprar o meu.
Abraços

Humberto Neto disse...

Concordo em genero e numero com o que foi dito! Em muitos casos a soberba e o preconceito de muitos membros da igreja em relação as outras pessoas no que diz respeito a sua proximidade ou n de alguma DOUTRINA cristã acaba por afastar as pessoas da igreja por as mesmas se sentirem em certos casos ofendidas e constrangidas por n ter uma natureza RELIGIOSA, ou por interpretar de forma diferente alguns aspectos expostos pela DOUTRINA, pela INTERPRETAÇÃO de alguns textos biblicos, tirando toda a subjetividade e proximidade nossa com o foco principal que é a nossa fé! Muito bem colocado seu comentario! Boa semana!

orlando disse...

...Cada um e chamado de diversa maneira, e cada encontro com Deus e Pessoal... o Salmista ja dizia..."Deus Meu". Portanto O Reino de Deus Esta dentro de cada um de nos.... esse e o verdadeiro templo,...onde a adoracao e em espirito e em verdade.

Cerestino disse...

irmão, só uma pergunta: o comentário que vc excluiu, por acaso assim o foi pq ele discordava do seu post? Não estou dizendo que é, mas como um só foi excluido e todos os outros concordaram com vc, me veio a suspeita. Eu concordo tb. E qro ler esse livro pq tb penso assim. Mas excluir um comentário pq eh divergente,,, nada a ver né...
se foi isso claro..

Thiago Rodrigues (Pita) disse...

Parece bem interessante o livro!

Sobre o mesmo tema, achei bem legais as perguntas que o http://eletroacustico.blogspot.com/

colocou...

Um abraço Manel!

manoeldc disse...

não excluí o comentário do Alissom, meu amigo. Não sei o que houve, mas se vc clicar no nome, aparecerá o comentário normalmente. Eu não faço a seleção para aprovação dos comentário por respeitar as opiniões divergentes, mas não é o caso aqui mencionado. Parabens pela sinceridade!

AlyCampos disse...

Alysson Campos:

Só pra esclarecer! Quem excluiu o posto fui eu mesmo. Logo enseguida de postar, vi um erro de ortografia. Como o blog da opção de exclui ao editor. Exclui, corrijo o erro e postei de novo. O manoel não exclui ninguém..espero que esteja tudo esclarecido!

Raquel Mustafa disse...

Bem... Ao meu ver, nós somos o corpo de cristo, templos do espírito santo e é isso que nos tornará diferentes, pois refletiremos no nosso físico aquilo que é verdade no espiritual.
Muitas pessoas hoje esquecem disso, e para não perderem certas posições ou até mesmo ganhá-las dentro da instituição denominada de templo (a igreja com paredes) vestem uma capa de falsidade até mesmo para com elas.
Devemos ter em nossas mentes que somos a noiva de Cristo e que por isso devemos TER A INTIMIDADE COM ELE, para que no dia em que Ele vier buscar sua amada ela esteja na verdadeira sintônia do amor de Cristo.

Pr. Joversi Ferreira disse...

Sou um dos aqui chamados "santarrões" e outros adjetivos. Vou começar a ler o livro hoje. Primeiro, porque quero, depois porque não é verdade que "o nosso tipo" de crente não lê "esse tipo" de livro como "A Cabana". Se assim fosse verdade, como poderiam as críticas mencionadas aqui serem feitas? o mais interessante no comentário de cada um aqui é que parece que estão incorrendo no mesmo erro que apontam, ou seja, nós estamos certos, os igrejeiros tradicionais estão errados. Dêem uma olhada na sua comunidade ou não-comunidade que vcs escolheram e provavelmente encontrará manchas escondidas e vergonhosas que as igualam às que estão tão confortavelmente criticando.
Afinal, o elemento defeituoso de qualquer agrupamento humano ainda está lá: o homem. Como disse um certo pensador cristão: "Quando vc encontrar a igreja perfeita, não se junte a ela pra não estragá-la".
Nós vemos no final da leitura.

helenita disse...

sinceramente eu não sei se li e não entendi, esse livro se puder me dar uma expçicação sobre o livro porque voce não quer ir mais a igreja. eu achei que esse livro tira de nós a respondabilidade de cultuar a Deus, eu não gostei não, queria algo que me incentivasse a ir na igreja e não a parar de ir