segunda-feira, 24 de agosto de 2009

LAPSOS ESCATOLÓGICOS


Nesse fim de semana discorri no culto no AbrigoR15 a respeito da segunda vinda de Cristo, baseado no capítulo 24 de Mateus.
Não há assunto mais controverso e tema mais mal compreendido que este. Desde a década de setenta, com as asseverações dogmáticas e os esquemas dispensacionalistas de Scofield , somados aos livros populares de Hal Lindsey (“A Agonia do grande Planeta Terra” e “Satanás está Vivo e Ativo no Planeta Terra”) , e hoje, com os livros infanto-juvenis de Tim LaHaye e seus “Deixados para Trás”, vemos o quão distantes estamos de uma aproximação razoável do que Jesus realmente quis dizer.

Esses intérpretes do futuro se emaranham numa teia labiríntica de especulações sem base, e à semelhança de rabinos da cabala judaica acabam por se perder em um cipoal de interpretações literais, códigos criptografados e numerologias ridículas, bem como em falsas interpretações epistemológicas que ignoram o paralelo que deve existir entre o texto escriturístico e os eventos da história atual. Tudo isso elaborado numa forçação de barra tamanha, que foge diametralmente aos princípios elementares da hermenêutica bíblica.

Primeiro, esses intérpretes simplórios não demarcam os pontos diferencias entre os dois assuntos que Jesus menciona quando responde aos discípulos, no capítulo vinte e quatro do evangelho de Mateus, quando perguntaram sobre os acontecimentos relativos à queda de Jerusalém, quando Ele vaticinou que no lugar do templo suntuoso edificado por Herodes, não ficaria uma pedra em cima da outra, o que para os discípulos, era o fim do mundo e das eras.
Então Jesus apresenta em sua exposição escatológica a menção de dois fatos distintos: os acontecimentos sobre Jerusalém e os acontecimentos sobre o final dos tempos, temas esses entremeados, que necessitam de discernimento espiritual para se ver quando se trata somente sobre a queda de Jerusalém, quando Jesus menciona dois eventos correlacionados abrangendo os dois temas ao mesmo tempo, ou quando Jesus está se referindo apenas ao fim dos tempos, quando vai voltar pela segunda vez.
Por exemplo, a aparição de falsos cristos, guerras, fomes, terremotos, perseguições e martírios, falsos profetas, o esfriamento do amor e a pregação do evangelho ao mundo todo, são eventos de interpretação dúbia, que se refere aos acontecimentos sobre Jerusalém, bem como também sobre o fim dos tempos, inclusive o evangelho sendo pregado a todo mundo conhecido, capitaneado pelo apóstolo Paulo (Cl1.23) e a necessidade do Evangelho ser apresentado ao nosso mundo hoje, atingindo todas as etnias da Terra.

Mas, apesar desses acontecimentos terem seu cenário histórico nos tempos que antecederem a destruição de Jerusalém pelas tropas do general Tito, podemos também fazer uma correlação com os acontecimentos que estão acontecendo hoje, como sinais concretos da aproximação célere da volta de Jesus à terra. O mesmo sucede à parábola da figueira, sendo uma previsão para a geração dos judeus aos quais Jesus falava, mas também referência escatológica para o fim dos tempos.

Segundo, esses profetas escatológicos se embrenham no confuso labirinto de teorias inócuas defendendo o pré-milenismo, o pós-milenismo, ou o amilenismo, se a vinda de Jesus será pré-tribulacionista ou pós-tribulacionista (certemente nem Jesus conhece essas termos!). E apesar dessa ficção entrelaçada, a verdade é que Mateus nos mostra claramente que a igreja, os eleitos de Deus, o remanescente fiel, será inevitavelmente purificado pelo fogo da tribulação, fato esse que é comprovado pela própria história da igreja que só foi, é e será aperfeiçoada quando for limpa de sua densa crosta de sujidades, de suas pretensões megalômanas e de sua síndrome luciferiana, quando será acrisolada pelo fogo da provação. Aconteceu no início da era cristã, em vários pontos da história e vai acontecer inexoravelmente no fim das eras. E a igreja do final dos tempos não será poupada.

Último erro de interpretação. Diferentemente dos sobejantes anúncios dados por Jesus a respeito a respeito da queda de Jerusalém, no entanto, não haverá sinais explícitos que indiquem que Jesus está voltando. Apesar dos terremotos, maremotos, tsunamis, fomes, epidemias, sinais no céu, sol escurecer, lua apagar, os poderes dos céus sendo abalados, e as estrelas caindo no firmamento, os homens em geral estarão entorpecidos e não se aperceberão da nada. Mesmo porque esse entorpecimento corresponderá ao esfriamento do amor falado por Jesus. Será como nos dias de Noé. Jesus virá como o ladrão na noite, quando ninguém estiver esperando. Só depois de aparecer no céu o sinal do Filho do Homem é que e os homens e os povos da terra lamentarão, mas será tarde demais. Então os que mantiverem a chama do amor viva, que forem amigos íntimos do Rei, serão arrebatados, e os que estiverem mortos serão ressuscitados de seus túmulos para numa viagem radical, se encontrarem com Jesus nos ares, e voltando concomitantemente à terra para reinar para sempre como o REI. O que passar disso é discussão sem sentido.

De minha parte digo: observe atentamente ao redor, meça seu nível de amor, prepare-se espiritualmente, persevere até o fim, e enquanto Jesus não vier, console seus amigos com essas palavras... (não as do meu texto propriamente dito, mas com as palavras das Escrituras a respeito da Segunda vinda de Cristo – ITs4.18).

6 comentários:

markeetoo disse...

Esse é um assunto que tem muuuitas interpretações e que é bem confuso. Não sei se as interpretações ajudam a explicar ou complicar, mas também acho que há muito simbolismo e não temos como interpretar tudo definitivamente. O que sei é que até a volta de Cristo vou continuar buscando seguir Sua vontade e estabelecer seu reino aqui na terra ehehe.

Edjane disse...

Realmente é um assunto confuso, que nas suas tantas versões e interpretações nos leva a crer que tudo que estamos passando tipo, epidemias, terremotos, aquecimento global, pais contra filhos e filhos contra pais etc.. São sinais da volta de Cristo, mas como a palavra diz que ele virá como ladrão, (e ladrão não avisa nem dá sinais que vem não é mesmo?) é preferível nos prepararmos a cada dia para essa volta, revendo nossas atitudes perante as pessoas e ao meio em que vivemos exercitar o amor e caminharmos segundo sua vontade.

Anônimo disse...

AlyCampos:

Esse tema realmente é muito divergente, são muitas interpretações. Acho que talvez o primordial e cultivarmos cada vez mais nosso relacionamento com Jesus, sendo Ele que nos preparará para sua vinda. Em meio a tantas interpretações apocalipticas as vezes perdemos o foco, deixamos de olhar fixo para o alvo.

Marilena Silva disse...

Tb acho que o mais sensato a fazer é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Talvez isso pareça simplista demais para alguns, as eu tb acho que isso resume tudo.

Micael Pinheiro Silva disse...

Fascinante esse tema. Gostei do texto e esclareceu muitas coisas.

Edigleuma disse...

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