sábado, 17 de outubro de 2009

CONFRARIA DO CAFÉ



Existem lugares onde você pode ser você mesmo, encontrar bons amigos e experimentar positivamente uma espécie de catarse existencial na troca de experiências e na cumplicidade dos membros dessas “irmandades” informais. Um deles é o bar ou boteco da esquina, onde seus freqüentadores via de regra encontram uns nos outros apoio em suas dificuldades corriqueiras e onde se pode ser autêntico, sem necessidade alguma de representar um papel ou vender uma imagem de que tudo vai bem.
O outro lugar assim é o café, ponto de encontro onde os amigos, podem ter momentos de descontração, compartilhamento de dramas pessoais, e a sensação, de ao sair de lá, como se tivesse saído de uma terapia, ou de uma reunião de oração de uma igreja, com o espírito revigorado.
Talvez você pensasse que incluiria na pequena lista acima a igreja, como um desses lugares onde as pessoas pudessem ser elas mesmas, como um ambiente de renovação e crescimento nos relacionamentos. Mas não, infelizmente na maioria das vezes não acontece assim, sendo antes um lugar triste onde seus membros mantêm as aparências e onde permeiam a superficialidade e hipocrisia, antes parecendo uma rede de suspeitas e intrigas, e infelizmente onde umas entregam às outras de bandeja, sem nenhum compromisso de amizade verdadeira.
Algumas noites costumo reunir em um café com amigos da comunidade cristão Abrigo R15. Ali comemos, contamos piadas, rimos, compartilhamos nossos dramas pessoais e nos submetemos ao crivo de avaliações uns dos outros, às sugestões e insights que vem espontâneos como possíveis soluções, nos ajudando a ver nossos problemas de um outro ângulo e a possível saída da dificuldade que enfrentamos. Tem sido muito bom e mudanças sensíveis têm acontecido em cada um de nós.
Em quase todas as manhãs também costumo ir a um café encontrar-me com o Alexandre, o Alé, meu irmão. Esses momentos tem sido compensadores, onde os laços fraternos tem se firmado, pois ali conversamos sobres temas os mais diversos, sobre nossas vidas pessoais, familiares, dúvidas, temas atuais, assuntos instigantes, sobre dilemas existenciais, momentos que nos fazem crescer intelectual, cultural e muitas vezes espiritualmente. De vez em quando, agrega-se a nós o Miquéias, e ultimamente, o Vitor, nosso amigo e mais novo membro da confraria do café.
Manhã de sábado, dia 17 de outubro. O Tempo está abafado, transicionando entre um tempo de sequidão de estio e o período de chuvas. Mas agora estou refugiado no ar-condicionado de um café onde fui encontrar o Alé e meu pai. Eles já haviam se encontrado no sábado passado e eu não pude comparecer ao encontro. Mas hoje não faltei. O encontro de hoje foi muito bom. A conversa fluiu livre, inteligente e consistente. Papai no alto de seus 84 anos estava muito conversador, com boa dicção, a mente ágil, o raciocínio apurado, rindo, comentando, e contando as histórias que só ele sabe narrar. Ele contou que muitos anos atrás já foi cronista de O Jornal, um jornal antigo de Manaus. Diante de tanta criatividade produtiva o incentivamos a por suas idéias e textos em um blog. Tomamos a iniciativa de nos vermos mais vezes, e firmamos os sábados pela manhã para nos encontrar em cafés e por os assuntos em dia. Fica a expectativa para os próximos encontros.
Que venham mais amigos a aderirem à confraria do café. Estou aguardando.

4 comentários:

markeetoo disse...

Infelizmente a igreja virou um culto. Se resumiu a um culto.
A primeira igreja era comunhão, convivência. Por que trocar isso por um culto?
Não que o culto não seja importante, mas a comunhão e convivência é bem mais importante ao meu ver.
Precisamos sair um pouco da nossa rotina cansativa e que as vezes só acha possível após um dia de trabalho cair numa cama e descansar e buscar momentos como esse descrito no café. Existe um poder incrível na comunhão dos santos. É testar pra comprovar!

Expressão em ação - Blog do Antonio Carlos Junior disse...

Concordo com o Markeeto. O mundo vive preocupado demais, trabalhando demais, rotineiro demais...
As melhores coisas são as mais simples. Num simples de gole de café absorvemos a troca, a comunhão,a vivência.
Que essa confraria só aumente!
Um grande abraço!

Marilena Silva disse...

Quem disse que esses cafés não são igreja? Amo ouvir as histórias do meu sogro...

Atalaia disse...

É isso aí, só que eu preferia uma confraria da cerveja,eu não sou mais adepto do "rigor asceta".Os irmãos se reunirem para tomar uma cerveja de trigo geladíssima,coisa linda!!!