quinta-feira, 1 de outubro de 2009

FAXINA CULTURAL - Uma tentativa de justificar minha fissura por livros


Ontem pela manhã eu e Lena nos empenhamos em uma severa faxina na biblioteca da casa. Logo vimos que era um tremendo desafio, pois as estantes estavam sem limpeza há muito tempo, revelando uma crosta opaca de poeira na maioria dos livros o que exigiria um trabalho de equipe meticuloso e prolongado.
A dinâmica desenrolou assim: eu, no alto de um banco de bar tirava um livro da estante, passava o aspirador na borda inferior, entregava para a Lena passar a flanela na capa e contra capa, eu passava o aspirador no vão vazio entre as divisões das prateleiras, depois passava a flanela untada com lustra móveis, a Lena me repassava o livro limpo às minhas mãos, para depois ser devolvido à prateleira. Não precisa dizer que com o decorrer desse trabalho cansativo meu corpo todo foi entrecortado de filetes que desciam pela nuca em direção ao resto do corpo transformando-se em verdadeiros canais caudalosos de suor abundante! Mas foi uma experiência bem instrutiva.
Foi e tem sido (ainda não acabou nem de longe!) um trabalho cadenciado e exaustivo, mas enquanto tocava os livros e passava o pano em suas lombadas, não pude deixar de relembrar em meio à execução daquele labor/prazer, mesmo que de relance, as histórias, romances e enredos que li na grande maioria deles. O carinho que dispensava aos livros, tocando-os como troféus adquiridos em combates, me fez meditar o que seria esse sentimento que tenho por livros desde muito tempo. Existiria um apego aos livros, uma “bibliofilia” arrebatadora que leva alguém a amá-los de forma tão dedicada?
Nessa etapa do trabalho de limpeza da estante, manuseei alguns tomos de autores que muito estimo. Rememorei trechos, frases e detalhes das histórias narradas. Sabe, houve um tempo que lia livros por autores (como até hoje). Li todos os da Agatha Christie de uma tacada só, a exemplo também dos episódios do Sherlock Holmes de Conan Doyle, dos contos de Gabriel Garcia Marques, dos textos de Umberto Eco e José Saramago . A mesma coisa se deu com os autores amazonenses: Li todos os livros do Marcio Souza, os do Moacyr de Andrade, os do Thiago de Melo, os do Milton Hatoum. E assim os de Philip Yancey, Eugene Peterson, C.S. Lewis, Loyd Jones, Tozer e Francis Schaeffer e tantos outros.
Enquanto tomava cada exemplar nas mãos, minha mente divagava para o conteúdo de cada um, e pensava como seria bom reler algumas obras, como mesmo disse o Jorge Luís Borges que o melhor da leitura é reler o que se já leu.
O trabalho por hoje ficou em suspense. Há muito que fazer ainda. Mas essa incumbência de trabalhar na limpeza da estante, recrudesceu em mim incontidamente o desejo de ler a seqüência de obras de autores que espero publicarem novas obras, de ter mais conhecimento, mais cultura, e mais crescimento através da leitura de novos livros. E neles voar na imaginação, me trasladar para países exóticos, conhecer novos personagens cativantes, deixar as emoções correrem soltas, me enternecer, deixar o fôlego ficar suspenso, viajar para novas terras e me envolver em aventuras impossíveis.
C. S. Lewis descreve em seu livro Os Quatro Amores, a existência de quatro amores (O título já ta dizendo!) no contexto neo-testamentário. Além do amor eros, do fílos e do ágape, existe o amor storgê, descrito com amor/afinidade, aquele apego que temos em comum em relação a alguma coisa que estimamos muito, como um cão, um gato, uma comida, uma camisa ou um livro. Tem muitas coisas que tenho muita afinidade. Meu pequeno escritório e pequenos tesouros que preservo através dos tempos. Tenho muitos Cds, DVDs, muitas miniaturas, canetas, etc, mas meus livros e a coleção de histórias em quadrinhos são talvez a forma mais estrita de expressar o amor storgê: Apego, carinho e sentimento de gratidão pelos livros existirem e a Deus por cultivar tão empolgante e ao mesmo tempo divertido costume. Ler livros...

9 comentários:

markeetoo disse...

Hehehe eu cresci vendo esse amor pelos livros e foi bom ser incentivado desde criança a ler e viajar nesses mundos.
E eu imagino a trabalheira que vai ser limpar essa estante toda e todos esses livros rs.

Marilena Silva disse...

Eu sei bem o trabalho que dá. Todo ano, temos essa árdua tarefa, o mais difícil é que o Manel começa querendo arrumar por autor, aí eu vou organizando e entregando pra ele arrumar... lá pelas tantasn, ele resolve que é melhor arrumar por assunto... aí já viu o tamanho da confusão... mas, eu acho que a gente consegue, eu tb acho legal.. apesar da alegia a poeira. O nariz coça, a garganta coça, o olho coça, o corpo tb...

Edjane Macedo disse...

Nem me fale em faxina eu tenho q fazer uma no fim de semana no meu quarto, como a Lena disse coça tudooo... mas no meu caso nem tem livros é trocentos brinquedos e trocinhos da Isa, boa sorte no restante da arrumação.

Micael Pinheiro Silva disse...

Que maravilha esse texto. É um tesouro incalculável mesmo esse seu.
Podia aproveitar para catalogar tudo, assim teria idéia de quantos livros vc tem.

socorro disse...

Como eh gostoso apreciar um bom livro. Ainda ontem eu li um que me levou a mares nunca antes navegaveis.

socorro disse...

Como eh gosto ler um bom livro! Ainda ontem eu li um que me fez navegar por mares nunca antes navegaveis.

mix disse...

caraaaaacas! imagino como deve ter sido complicado pra momis isso! Eu espero que ela tenha usado uma máscara!
:*

(marta selva) disse...

hehe e ainda me perguntam de quem eu puxei essa coisa por livro :p

JOSANI disse...

Entendo seu amor pelos livros... Aqui em casa sou eu quem tem essa paixao. E sempre falta estante... Mas é uma delícia este exercício de limpar e organizar... sempre encontro uma citação antiga que se revela atual...