quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

MANAUS TEM JEITO SIM!



Eu pensava que Manaus não tinha mais jeito. Em meus sonhos enevoados, via uma cidade fantasma, desfigurada, com seu centro detonado, os casarios de fachadas antigas abandonados, transformados em covis de ladrões. Acordei e vi que não havia mudança no quadro entre o sonho e a realidade. O trânsito continuava impraticável, a falta de educação dos motoristas nas ruas era gritante, não usando as faixas, fechando os cruzamentos, os barbeiros petulantes que se atravessavam na frente de todos pra tomar a rua oposta, vi ruas esburacadas, despojadas de jardins e árvores, os igarapés fétidos exalando seus eflúvios nauseabundos, a explosão do concreto, o asfaltamento com material de péssima categoria, o desleixo que não cuida em plantar árvores nas calçadas, e as queimadas criminosas que deixam o ar irrespirável e o calor insuportável.
Vi a pobreza crescendo vertiginosamente no centro e na periferia da cidade, e os ricos cada vez mais arrogantes, acastelados em seus condomínios intransponíveis.
Diante desse quadro real, sombrio eu me perguntava: desse jeito, quem poderá morar, ou melhor, sobreviver em Manaus daqui a cinco anos? Eram perguntas que me vinham à mente, vezes seguidas.
Mas ontem eu tive um vislumbre de otimismo, vi uma luz no fim do túnel, com se diz. Ao participar de um jantar de confraternização em um restaurante no centro da cidade, estacionei o carro no meio fio da calçada da Praça da Polícia. Fiquei entusiasmado com o que vi. Vi do outro lado da rua, à frente do restaurante que íamos fazer o jantar para os parceiros do Abrigo R15, mesas dispostas ao longo da calçada, decoradas com toalhas quadriculadas em vermelho e branco, um quadro inusitado, como uma fotografia de ruas de cidades européias ou de cantinas ao longo dos calçadões de ruas de Paris.
Vi a Praça da Polícia finalmente restaurada, tendo antes sido cercado por odiosos tapumes durante “séculos” e servido de refúgio a vagabundos, drogados e ladrões. Vi a praça iluminada, suas árvores centenárias preservadas, e dali de cima, no segundo andar do restaurante que me encontrava, pude ver ao longe o chafariz que esguichava águas dançantes no ritmo da música clássica que emanava dos alto falantes espalhados por toda a extensão da praça. Vi famílias passeando, meninos correndo, subindo e descendo do coreto, vi casais debruçadinhos na balaustrada da ponte de pedra sobre o laguinho fazendo juras de amor, vi muitos que faziam pose para a câmara fotográfica para perpetuar aqueles momentos singelos, em uma praça que de repente me lembrou a velha praça dos anos sessenta onde, quando criança, passeávamos como família e brincávamos na ponte e no coreto antigo.
Aí, me lembrei da iniciativa da construção da urbanização sobre os igarapés poluídos, foco de pobreza extrema, a iniciativa da edificação dos conjuntos de casas decentes de tijolos vermelhos do Prosamim, que retiraram muitas famílias das palafitas das beiras dos barrancos imundos em igarapés fétidos, que antes viviam de forma subumana, agora, aventa-se a possibilidade de dias melhores, vi a construção de algumas praças novas com jardins e boa estrutura urbanística serem presenteadas a cidade sofrida.
Então me ocorreu algo...Parece que apesar da roubalheira generalizada por parte da maioria gritante das autoridades da cidade, do banditismo legalizado, da rede de corrupção instaurada nessa plaga tão depauperada pela ganância de homens maus, há um vislumbre positivo em podermos ver nossa Manaus restaurada, e de se reafirmar ante nosso olhos marejados, cansados e as vezes, incrédulos, uma doce e romântica expectativa de voltarmos a experimentar os tempos áureos de cidade pacata, como uma réstia de esperança de poder vê-la de novo, cidade risonha.
Mas me responda...Será que estou novamente sonhando?

6 comentários:

[ penelope ] disse...

A saída pra isso tudo está na educação e bom senso das pessoas. Falta muito ter Deus nas ações, e não apenas da boca pra fora...

Giselíssima disse...

Manaus tá ficando linda mesmo. Lógico que não se pode melhorar tudo da noite pro dia, mas um dia após o outro trabalhando pra cidade ficar melhor habitável, ah isso dá sim!
Se depender do esforço de cada um de nós...Dentro de alguns anos o sonho se tornará realidade!

>>> Porque eu sou brasileira e não desacredito/desisto nunca!

P.s* Mas posso dizer que teve uma época que foi difícil vislumbrar o que vemos hoje em nossa cidade.

markeetoo disse...

É, normalmente a gente só vê o lado ruim, mas nossa cidade ainda tem algumas iniciativas boas. Quando fui na praça da polícia depois da reforma, durante uma manifestação do greenpeace, gostei muuuito. Ficou bem legal mesmo. Estão investindo em mais parques. Infelizmente as árvores dos novos parques vão demorar um pouco pra crescer e ficar do tamanho ideal, mas se nós cuidarmos dos tais parques, nossos filhos terão uma Manaus melhor... talvez rs

Edjane disse...

Já fui na praça e fiquei encantada tb, acho muito lega a iniciativa de restaurar as praças, fazer parques onde era só igarapé sujo (como o Jerfesson Perez) a praça da saudade tb tá ficando muito linda, tomara que a população preserve e a gente possa um dia ver Manaus uma cidade bonita e aconchegante, longe do q é agora.

Gui disse...

Pois é, lembro dessa praça na década de 70 quando passeava por aki, Hehehehehehehe, papo.
Mas de fato era muito feia qd xeguei em Manaus a 3 anos atras.
Agora tem vários pontos bonitos e agradáveis como akela Jefersson Peres tb.
Mas será mesmo pastor, q dá pra ver a cidade restaurada? Axo q ai já é um sonho meio sureal, hehehe.
Mas isso ai é questão de fé né?
Como o senhor é dakeles q FÉDE mais...
Hahahahahahaha

Marilena Silva disse...

Concordo que é preciso educar o povo. E é preciso colocar lixeiras de fácil acesso, e talvez algumas crianças e adolescentes serem contratados como agentes de conservação ajudando as pessoas a jogarem lixo no lixo etc... As garrafinhas de pet não ficariam pelo meio fio e consequentemente não iriam parar nos bueiros.