MARÉ ALTA

O texto aqui exposto, se propõe a revelar o movimento de fluxo e refluxo do amor, indomável e misterioso, quando se precipita, livre e subitamente sobre quem está na praia da vida, à mercê das circuntâncias, para depois experimentar a inundação dessa força irreprimível.
Água represada
Entre os rebordos
Dos fossos erodidos;
Estagnada na orla da praia,
Nos vãos das pedras,
Há muito esquecida...
Amor acuado,
Aprisionado nas rochas escuras,
nos arrecifes recobertas de limo verde
E corais arrimadiços,
De sargaço espargido,
Apodrecido
Então desperta de vez...
A maré alta invade a areia,
Inclemente, urgente...
Catadupas de águas revoltas
Invadem as reentrâncias das rochas;
Transborda aos borbotões
Reservatórios de águas tépidas,
Inunda o poço latente,
Renovando águas estáticas.
Águas insanas recrudescem elevadas;
Invadindo a areia da praia
Rebentando nos vãos das rochas
Inundando barreiras de corais
Renovando as águas,
Recriando exuberância
Entremeando vida.
Como um anjo volátil
Que vertiginosamente desce
Movendo as águas,
Mistério do universo,
Movimento, força intemporal
O amor se torna ativo...
Irrefreável, redivivo.
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