terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A IGREJA DE UTÓPOLIS


Lembrei desse texto que li em uma revista Ultimato antiga e cheguei a publicá-lo no boletim da IPM há uns quinze anos atrás. Hoje, pregando sobre as marcas de uma igreja alegre, baseado na carta de Paulo aos filipenses, quis ter acesso a ele, mas não o achei nem nos meus arquivos, nem na internet e em canto algum, mas através da revista, entrei em contato com o Manfred Grelllert, autor do texto, e presidente da Visão Mundial durante um longo período. Ele conversou comigo algumas vezes por email, disse que ia procurar em um livreto de sua autoria e que me mandaria. O tempo passou e nada. Semana passada me disse que vinha a Manaus e que finalmente me passaria o texto. Fui vê-lo no hotel Manaós na av. Eduardo Ribeiro, e recebido com muito carinho. Conversamos a viva voz e me senti muito edificado. Mas quando recebi o livro de suas mãos, estava publicado em espanhol! Mas calma aí, finalmente hoje acabei de traduzir o texto.
Ufa! Agora espero que vocês o apreciem e sejam edificados nessa minha volta ao blog, depois “de um longo e tenebroso inverno”.

A igreja de Utópolis é extraordinária. E não é que seus próprios membros propaguem isso. O testemunho é da comunidade na qual ela está inserida.
No domingo, quem se dirige ao templo modesto e acolhedor, entra num ambiente festivo. A cordialidade e a transparência das pessoas são cativantes.
Depois de atravessar o que parecia a área de recepção e entrar no santuário, fiquei pasmo. Nada de olhares inquiridores ou apáticos. Senti que todos se conheciam, se amavam e se sentiam responsáveis uns pelos outros. A comunhão que tinham com Deus marcava a comunhão que tinham entre si. Pude observar que o Evangelho funcionava e era verdade. Uma nova humanidade, fruto da redenção, da conversão e da dinâmica do Espírito Santo, se manifestava ali com plena exuberância. E que prazer dava vivenciar a bênção da reconciliação com intensidade e autenticidade!
Quando começou o culto, pensei que a atmosfera inicial se diluiria na participação passiva de um culto formal. Nada disso. Nunca imaginei o que sucederia depois. Participei de um louvor que me levou à presença de Deus. Não era meramente louvação. Era um louvor com compromisso. A confissão de pecados chegou a constranger-me. Consegui livrar-me de algumas coisas que estavam me afligindo desde muito tempo. A intercessão foi uma luta junto a Deus contra o diabo, a dor, a morte. O sermão, sem adornos nem retóricas, falou das coisas de Deus e da vida, com autoridade. A Palavra calava no coração. A graça e o Espírito a aplicavam. O verbo se fazia carne. Em contrapartida, não havia conhecido o pastor antes do culto porque estava em oração com os seus líderes. Quando apareceu a figura inexpressiva, senti algo como um esmorecimento. Mas quando o homem, ou melhor, o homem de Deus dirigiu o culto, tive que pedir perdão a Deus.
Depois do culto houve escola dominical. Eu, doutor em teologia, pensei primeiro em sair. Mas me detive diante do convite sincero e insistente para participar em “nossa classe”. Nela se discutiu a Bíblia e a vida. O ensino não era formal. Nada de discursos inócuos. Dei graças a Deus pelo professor não ter passado por uma instituição teológica típica. O que ele compartilhou com todos nós, ou melhor, as informações fornecidas por ele me acompanharam a semana toda. Senti que parte da força dessa igreja provinha de sua sólida fundamentação na Palavra de Deus. Sem por isso querer encher a cabeça de informações inconseqüentes, foi nos guiando à plenitude de Cristo na dinâmica total de nossas vidas.
Depois da escola dominical, não queria sair daquela atmosfera. Em uma igreja assim posso passar quatro horas sem olhar o relógio. Por isso mesmo participei deu ma reunião com uma comissão chamada de diaconia. A recessão e o desemprego haviam produzido problemas sérios entre algumas famílias da igreja, e entre muitas famílias do bairro. E a igreja não queria ocupar-se tanto do céu ao ponto de esquecer-se da terra. Quando entrei na salinha onde seria a reunião, vi coisas que já havia sonhado, mas nunca visto na prática. Os irmãos com emprego haviam trazido arroz, feijão, açúcar... Até carne seca vi. O líder da reunião tinha a lista das famílias desempregadas. Antes de fazer a distribuição dos donativos, todos oraram pela necessidade de emprego e justiça no mundo, e também para pedir a orientação de Deus na distribuição dos mantimentos trazidos pelos membros da igreja. A metade dos víveres foi destinada às famílias carentes da igreja, e a outra parte foi direcionada para as famílias pobres da comunidade. O que mais me surpreendeu foi que ninguém alardeou desse ministério da igreja, na hora do culto.
Dado o fato que minha conexão aérea era na segunda-feira, no domingo à noite voltei ao templo. Uma vez mais vi aquela gente, simples, é verdade, mas feliz. Um culto com muita participação. Um anúncio simples, claro, mas poderoso do Evangelho. Dezenas de conversões depois de um convite sem muita insistência. Quando perguntei ao pastor com era possível tudo isto, me respondeu que toda a igreja evangelizava e ele se limitava a sacudir a árvore. ao final do culto, houve mais de vinte batismos e muita alegria. A presença inefável, mas real do Deus vivo. Que igreja mais evangelística! Finalmente havia descoberto uma igreja como a que sempre sonhei.
Essa igreja existe?

7 comentários:

Marilena Silva disse...

Valeu a pena a persistência em encontrar novamente o texto. Peço a Deus que o Abrigo R15 tenha sempre pelo menos um pouco dessa igreja. Que jameis percamos esse sentimento de família. Acho que isso é que tem na mente de Deus quando diz que seríamos reconhecidos pelo amor uns pelos outros.

markeetoo disse...

Pow, eu acredito que ainda existam igrejas como essa.
Claro que até uma igreja como essa teria problemas, afinal, somos humanos e os irmãos de Utópolis tambem ehehe, mas é bom se inspirar pra viver isso.

Tiago Paladino disse...

valeu a pena mesmo esse texto.

Sonho estar inserido numa igreja como esta... e no Abrigo, vejo que esse sonho pode se tornar real..

Valeu o empenho pelo texto..

Edjane disse...

Gostei do texo, valeu mesmo a persistência de encontra-lo, como disse a Lena, voltando em grande estilo..
Se essa igreja existe? Não sei, mas gostaria de fazer parte de uma pelo menos parecida..rs
beijos

Rafael Siza disse...

Se essa igreja existe? Depende de nós.
Inspirador.
Abraços!

Anônimo disse...

ALYCAMPOS:

Belo retorno do blogueiro MDC!
Que o AR15 possa continuar no caminho da igreja de utópolis e que Deus nos ajude a preservar esse amor e comunhão, uns para com os outros..Muy bueno!

The Reverend disse...

The Reverend de volta a ativa...

Esse é um texto que devia não somente ser conhecido mas vivido...

E minha opinião visa a entender que se nós quisermos seremos essa igreja...

Texto simples e pratico..."chibata no balde"

Não espero que o Abrigo seja assim...
Pois como posso esperar algo que já tenho e que já é em minha existencia

Hoje no Abrigo finalmente me sinto em uma familia, em casa...

Nós estamos a caminho...e com certeza chegaremos nesse sonho

Este é um sonho e uma paixão...não de alguem, mas MEU sonho e MINHA paixão...eu vou lutar por essa igreja...

e enquanto eu estiver vivo vou amá-la mais do que a mim mesmo e vou lutar pra trazer esse céu para os muitos infernos na terra...

Este é meu e nosso sonho e é a nossa vida!!!