quarta-feira, 17 de março de 2010

MUNDO NA LAMA



Não sei se houve uma aceleração repentina do tempo, fruto do deslocamento do eixo da Terra em vários graus, ou se a gente se envolve com tantas atividades no dia-a-dia que parece que o tempo está voando... Mas na verdade o tempo caminha no mesmo ritmo... Nós é que mudamos o eixo de nossas atividades prioritárias.
Ontem foi a entrada do ano, hoje já é março, daqui a pouco é a Páscoa, e a Copa do Mundo está às portas.
Desde o inicio do ano de 2010 vejo pasmo, fatos e eventos catastróficos acontecendo no mundo, concentrados em um espaço tão curto de tempo, que me deixaram preocupado...Parece-me que se configuram em nosso mundo, os traços definidos de um cenário dantesco tão sombrio e amedrontador quanto o desenlace dramático das páginas do Apocalipse. Mas não é só o homem que está sacudindo loucamente os pilares da terra. É a natureza que geme como que sentindo dores de parto como diz o Livro Antigo, e o globo terrestre convulsiona como corda tensa prestes a rebentar. O mundo está desabando ladeira a baixo, deslizando num mar de lama.
Em relação aos fenômenos naturais, vi imagens de terremotos em escalas inconcebíveis, e maremotos que geraram tsunamis com ondas que só via em filmes como O destino do Posseidon. Vi o mar adentrando no litoral brasileiro com violência, destruindo ruas, varrendo casas, derrubando palmeiras centenárias. Vi manifestações impressionantes do terremoto avassalador que destruiu o Haiti e como resultado, centenas de pessoas com eu e você, agora amontoadas, corpos acinzentados num monturo de frias carcaças humanas, esperando serem lançados em covas comunitárias improvisadas. Depois foi a vez do Chile, o terrível cavaleiro apocalíptico montado em seu cavalo vermelho ceifava mais e mais vítimas.
Vi mais: queimadas arrasadoras, deslizamentos de terra nos morros, e morte, morte e mais morte. Testemunhei os vários soterramentos no sudeste do país e as alagações que inundaram várias cidades do sul e mortes e mais e mais mortes de gente levada pelas águas tresloucadas das enchentes.
No âmbito político vi repetidamente a cara dura da corrupção escancarada grassando por toda parte, os vídeos delatores de políticos cínicos enchendo de dinheiro meias e cuecas quando se locupletavam com a propina recebida.
Vi a violência aterradora nas ruas do Brasil, as brigas de torcida após os jogos de futebol, vi cenas de morte no quintal das casas, quando se matou um cartunista por nada, e vi meninos perdidos tentarem assassinar um taxista idoso e indefeso (mas com uma saúde de ferro, pois resistiu às agressões covardes de jovens possessos de indiferença, e mesmo lançado de uma ponte em um rio, assim mesmo ainda sobreviveu), tudo isso por não terem o dinheiro para pagar a corrida.
Foram tantas coisas loucas acontecendo ao mesmo tempo!
Enquanto isso tudo acontecia em três meses de intenso confrangimento, tive um lampejo de discernimento quando também pude ver nitidamente milhões de cidadãos brasileiros desavisados sendo soterrados pelo consumismo, enredados pelas algas venenosas da mídia, levados de roldão pelas correntezas do entorpecimento, arrastados violentamente para longe de seus marcos de referência, dos faróis da lucidez, arrojados de suas prerrogativas intuitivas, de suas faculdades munidas de discernimento inteligente e de livre exercício da vontade, desabados do senso de valor moral, para assim serem distraídos e empurrados para muito longe do continente da percepção aguda pela maré alta da bestidade, os impelindo aos trambolhões a comerem lama no fundo do mar da cultura rasa.
Sobreveio-me então como uma onda de zelo tipo Davi no salmo 139, uma maré cheia de indignação por ver que assim como acontece no mundo natural, acontece no plano espiritual, quando o mundo está sendo soterrado por uma avalanche de lama que tende a submergir os homens no lodo da mediocridade e da alienação. Gente morta, sepultada em seus delitos e pecados.
Então, respirei fundo, e a indignação foi transmudando em clamor, do clamor se transformou em calma oração. E se o que vi é a pura concreção dos fatos, então aceite meus sinais de alerta.
Deixe Jesus lhe soerguer desse monturo!
Viva para servir e ajudar o próximo!
Busque desesperadamente as coisas mais excelentes!
Promova você mesmo, a mudança que quer ver no mundo!

7 comentários:

markeetoo disse...

muito bom o paralelo das desgraças naturais e físicas com a desgraça subjetiva que acontece nas mentes da sociedade. Ambas as situações são tristes, mas não ligamos pra segunda, pois mexe com nossos interesses e vontades.
Que Deus me ajude a ser a diferença que quero ver no mundo.

Edjane Macedo disse...

Esse post é forte mas me fez refletir sobre várias coisas, deu uma sacudida...
Obrigada por compartilhar e q Deus me ajude a ser essa diferença.

Guilar15 disse...

As vezes fico pensando nisso tb: tanta desgraça acontecendo né?
De fato nos 3 primeiros meses do ano muita gente já morreu nessas catástrofes.
Enquanto isso há muita gente morrendo vivo tb.
E as vezes nós, eu tb me encontro morrendo em uma ou outra área da vida espiritual.
Oremos pra q o Senhor invada todo nosso ser com um grande avivamento, e que assim a chama de Seu Espirito possa nos impulssionar a uma atitude enérgica e poderosa trazendo vida e libertação diante desse quadro de morte.
E enquanto esse avivamento num chega, precisamos nos motivar individual e coletivamente em micro-avivamentos nas pequenas situações do cotidiano.
Crêio q agent xega lá, na força do Senhor.
Muito bom Manel

Marilena Silva disse...

Muito bom o texto, muito realista e confrontador. Tb. quero ser a diferença que acho que é necessária.

AlyCampos disse...

Inspirador! Que possamos manter nossos olhos firmes em Jesus e ser essa diferença necessária na sociedade.

Danilo Fernandes disse...

Lindo.

Vou levar para casa.

Abs,

Danilo

Micael Pinheiro Silva disse...

Esse texto foi perfeito. É exatamente isso o que temos sentido nesse início de ano. Que Deus nos ajude. Vamos fincar nossa esperança nEle.