quarta-feira, 8 de junho de 2011

lei da mordaça


Não quero “malhar em ferro frio” (pois os que já falaram a esse respeito, respeito profundamente). Refiro-me ao debate no grupo de e-mails do Abrigo R15 semana passada, onde se discutiu os textos do Caio Fábio, do Sandro Baggio e do Zé Bruno sobre a lei. A título de acréscimo, minha postura sobre o assunto é a do equilíbrio.

Por um lado, como sou seguidor de Cristo, me respaldo no Evangelho de Jesus, defendendo incondicionalmente a liberdade de expressão em todas as suas nuances. Sendo assim, qualquer lei, ideia, ou opinião imposta goela abaixo, que tenha teor intolerante, intransigente, xiita, hitlerista, impositivo ou cerceador da liberdade de consciência e de expressão sou e serei absolutamente contra.

Assim como tenho opinião formada contrária à injustiça, à impiedade, à pedofilia, ao ódio, à violência, ao preconceito, à discriminação, à corrupção e outros temas afins, quero me dar o direito de poder opinar favorável ou contrariamente sobre qualquer assunto, enquanto cidadão livre e minha consciência se manter alerta.

É o caso do projeto de lei PLC 122, a chamada lei da mordaça, que se propõe a defender a causa da minoria homossexual, mas de forma arbitrária, a defende em detrimento da liberdade de consciência e de expressão dos demais cidadãos brasileiros, e que trás no seu bojo tons nítidos de totalitarismo e intolerância irrestrita. 

Nesse sentido, e somente por isso creio que devemos nos irmanar como cristãos sendo contrários a essa lei prejudicial, gerando programas criativos de conscientização através da palavra escrita e de grupos de discussão tanto no âmbito pessoal como no virtual.

Por outro lado, não sou contra a lei por ser a favor da opinião dos "malafeias" da vida, dos terroristas que vociferam suas pragas condenatórias do púlpito e derramam sua homofobia escrachada, movidos pela total falta de amor e despojados do mínimo consenso cristão. Esses só atrapalham e mancham a opinião dos de fora do contexto igrejeiro que testemunham um evangelho do ponto de vista legalista e distorcido.

Minha opinião transcende os limites do mundo gospel, e se atrela a uma visão mais abrangente que açambarca a fé a justiça e a vida como um todo.

Ainda mais que creio com toda convicção que ninguém pode se fazer árbitro sobre áreas da consciência, e invadir o fórum íntimo das decisões internas, ou medir as atitudes de adoração do coração, as convicções de fé nos escaninhos da alma, onde ninguém pode se arvorar como juiz para dar um veredito final em questões da fé e da espiritualidade, já que habitam o interior do homem, espaço que só Deus perscruta, ou então nos assentaremos na cátedra dos fariseus nos achando os donos da verdade, no direito de julgar e condenar qualquer pessoa, incluído os gays.

Os gays, como seres humanos carimbados pela imago dei, são potencialmente candidatos ao Reino de Deus como quaisquer outros pecadores (incluindo héteros mentirosos, adúlteros intencionais, imorais, mulherengos, religiosos hipócritas, preguiçosos, glutões, etc) podendo sim ser tocados pela graça inefável e sensibilizados pelo Espírito Santo, levados ao arrependimento, ao perdão e ao discipulado cristão, portanto devendo ser respeitados e amados incondicionalmente com amor cristão, para terem livre acesso às nossas comunidades, para serem incluídos condignamente no contexto da igreja (e principalmente fora dela), e nela serem honrados e respeitados, ou não seremos verdadeiros seguidores de Cristo.

4 comentários:

Anônimo disse...

AlyCampos:

concordo, bom texto..esperemos que algo quanto a lei aconteça, e quem sabe ela possa ser redigida de forma a que realmente venha a ser uma lei que nao extrapole, mas que proteja e traga igualdade aos homosexuais, a nivel de punir devidamente as práticas homofóbicas movidas por tanto odio

markeetoo disse...

É triste ver que quem "tem o microfone" distorce algumas coisas e quando defendemos os valores do Reino, muitas vezes vamos ser colocados no mesmo pacote desses pastores televisionados.
Acredito que uma lei contra a homofobia (se é que esse é o termo mais adequado...) não seria necessária se a sociedade não cultivasse tanto ódio e intolerância uns com os outros. Mas como não podemos controlar o que alguém aprende em casa, com os amigos ou sei lá onde, então se faz necessário uma lei pra educar as pessoas que os homossexuais não devem ser alvo de chacotas, preconceito e até violência. Concordo com isso. Agora... daí chegar a criar uma lei que muitas vezes os gays estão acima do bem e do mal, já vejo uma lei exagerada que precisa ser revista.
Sou contra o preconceito, a violência e tudo que for desumano em relação aos homossexuais. Mas também sou contra a PLC 122 do jeito que está redigida.

Anônimo disse...

Concordo com tudo o que o Pr. disse. Mas quero saber de maneira clara: em sua opnião, é pecado ou não a prática homossexual?

Anônimo disse...

Já li a resposta aqui (http://manoeldc.blogspot.com/2011/02/quem-vai-amar-os-gays_11.html). Que Deus abençoe esse ministério, Pastor Manoel! Creio que Deus vai levá-los a lugares onde a maioria não tem coragem de ir, ou é simplesmente é preconceituoso ou acomodado demais para ir.