quarta-feira, 10 de agosto de 2011

desconectando pessoas

Hoje em dia é normal a gente chegar a um local onde tem muitas pessoas aglomeradas, em um jantar de confraternização, um aniversário, festa ou reuniões similares e perceber que cada um está confinado a um muro invisível de impessoalidade, olhando fixa e hipnoticamente para um pequeno objeto escondido na mão, manuseando com dedos velozes o seu celular, o seu Ipad, seu Ipod, seu Iphone, seu Blackberry ou qualquer novo apetrecho tecnológico do momento... Estão navegando alto nas redes sociais, se “comunicando” pelo Orkut, abrindo a vida e escancarando o coração pelo Facebook, pelo Badoo, LinkedIn, Flixster, MySpace, Twitter (esqueci algum?) e “chat-ando” no Gtalk ou no MSN, e você verificar estarrecido, que mesmo estando em grupo, circundados de gente real, não estão nem aí para as pessoas reais de carne e osso que estão ombreando com elas, sentadas à mesa do restaurante, da sala de jantar, ou ao lado no sofá.
O que está acontecendo? Creio que a resposta não é simples, mas passa pela comodidade da rede em fornecer o resguardo nas sombras do anonimato, o que um confronto téte à téte tornaria bem mais difícil. Penso também que as pessoas emergiram nessa em-si-mesmice viral, porque existe uma enorme necessidade de autopromoção como produto de uma imensurável carência afetiva em questão, uma necessidade das pessoas se sentirem reconhecidas e valorizadas, e por isso, põem seus feitos e suas realizações na rede com a intenção de mostrarem o quanto são criativas, originais e antenadas com o mundo.
Creio que ainda é tempo de nos redimir dessa falta de respeito, dessa desatenção pouco educada, desse exibicionismo do ego, e criarmos um dia da abstinência de tecnologia virtual, um dia desconectado, e proclamarmos o tempo da libertação da dependência eletrônica e informática.
Um dia quando deixaremos de lado o laptop, o PC, o celular, a televisão e o vídeo game para darmos mais tempo e atenção à família, a passarmos um momento de conversa descontraída com o pai, a trocarmos figurinhas com nossos irmãos, a curtir um período de tempo qualitativo com o filho, a reunir em um café com amigos, a conversar sobre assuntos comuns na hora da refeição, em fim, a dar atenção, cuidado, e canalizando o interesse para quem está disponível ali, do nosso lado.
Sei que muitos vão sofrer de delirium tremens, sentir vertigens e ter visões alucinógenas (desculpem aí o exagero...) por causa do período de desintoxicação, mas valerá a pena o esforço!
Aí, consequentemente se sentirá o alívio da liberdade do falso sentimento que o relacionamento virtual pode suprir suas necessidades emocionais, relacionais e espirituais, mesmo que para isso você pusesse um GPS que rastreassem todos os seus passos para saberem “de bandeja” não só o que faz e pensa, mas onde está, e revelasse toda sua criatividade, todos os seus segredos, seus gostos musicais, estilo pessoal, tendências, opiniões sobre política, sobre o mundo, sobre a vida e espremesse o cérebro para extrair as frases mais engraçadas ou inteligentes que pudesse expressar, para descobrirem assim, todo o seu potencial humano, todo o seu charme, tudo isso, no entanto, não seria suficiente para preencher o vazio da solidão da alma e a falta de significância para se viver bem.
Termino, sugerindo a você que abra As Escrituras e aprenda com Jesus de Nazaré, Aquele que priorizava as pessoas, e canalizava a atenção através do olhar compassivo aos que se esforçavam para ter contato direto com Ele, e assim, termos igualmente um relacionamento aberto, amoroso e sem pretensão ou segundas intenções com os que nos cercam. Apenas amá-los incondicionalmente, até as últimas consequências. Como Ele fez...

 Desafio você, a juntos, descobrirmos o caminho da discrição, da modéstia e da sobriedade, descobrindo ali a essência do que Ele falou: Ignore a tua mão esquerda, o que faz a tua mão direita.
Jesus, nosso Mestre por excelência, é exemplo para nós de comedimento, quando recusou inúmeras vezes a publicidade de seus feitos e proibiu as pessoas que curou de divulgarem ao povo os seus portentos irrefutáveis.
Ademais sobre tudo que falei, não pense você que sou contra utilizar-se das novidades eletrônicas e das conveniências modernas da informática, antes apelo para que sejamos mais sábios, mais sóbrios e busquemos o caminho do equilíbrio, não só nesse assunto, mas em todos os espaços de nossa existência.

7 comentários:

markeetoo disse...

É, essa parada parece que não é séria mas a psicologia já começa a tratar o vício da internet como uma patologia... nos EUA já existe o termo Crackberry associando o smartphone Blackberry com a droga Crack... é um trocadilho meio forçado mas expressa a preocupação de uma parcela da sociedade.
Essa idéia de um dia "desconectado" acho mt massa. Eu quero aderir heheh.
E sobre a auto-promoção online isso realmente é um saco. Não falo de quem tem empresas e vende serviços (sendo que até isso não pode ser feito de qualquer jeito pq muitas vezes causa o efeito contrário ao desejado) mas de gente que quer vender a si mesmo, promover o quanto ela é legal e popular. Já parei de seguir pessoas no twitter que gosto e considero brother, mas online é tanta auto-promoção que eu prefiro não ler o q teclam hahaha.

markeetoo disse...

Lembrei do ataque que os hackers estão planejando ao Facebook no dia 5 de novembro. Um dos motivos: "O Facebook sabe mais sobre você do que sua família."
http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2011/08/hackers-do-anonymous-anunica-ataque-ao-facebook-em-novembro.html

Edjane disse...

Gostei do texto, e confesso que estou desintoxicando, rsrs.. Pelo menos final de semana e a noite não entro, desde o dia que a Isa me falou que eu gostava mais do computador do que dela..(tá que ela forçou)mas me fez parar e pensar que tava na hora de rever algumas coisas, e agora eu dedico meus finais de semana e noites, que são horas que estamos juntas, para ela, para minha casa, quem quiser falar comigo tem que me ligar, pq até esse costume as pessoas perderam, de ligar para saber como está a outra. Nas horas desconectada além do tempo com a Isa eu leio, oro, fico mais na presença de Deus, mas confesso q não foi tão fácil assim, mas estou conseguindo e aproveitando muito meu tempo desconectada.

Feliz de Vez disse...

Muito bom este texto! E concordo muito com o Markeetoo eu também acho chato demais tanta autopromoção, eu sou o cara, ou eu sou crente mesmo: oremos! Sem brincadeira! Você é o que é e não precisa disso!
Rejane

MACLima disse...

Nobres, muito relevante este post.
Vez por outra minha esposa me dá uns puxões de orelha quando estou perto de pessoas que não vemos há tempos e usando o celular. Às vezes estou simplesmente querendo colocar na internet que estou com os "chegados" em questão mas é um hábito, não há como negar.

Não sei se já pensaram nisso, mas é o que me ocorre:
Eu realmente não tenho problemas em construir relacionamentos tête-à-tête - as redes sociais não me afetam assim.
Mas há pessoas, de carne e osso, que tenho em meus contatos, que sempre conheci mas nunca encontrei, ou nunca fui apresentado pessoalmente, ou que tive pouquíssimo contato, enquanto morava em Manaus, pelos motivos mais diversos.

Com as redes sociais, passei a conhecer um pouco mais essas pessoas e quando fiquei longe de todos, senti a aquela sensação de tempo perdido, de perda por desinteresse.
"Deprê de solidão" também não é a minha praia: conheço muita gente e os poucos amigos têm sido suficientes.
Mas me dá nos nervos conhecer a pessoas e não poder estreitar/construir amizades. Vai ver é por isso que não tieto artistas, curto mais o andar junto, nem que seja por um breve período.

Até o meu namoro/casamento iniciou-se numa rede social, que na época nem se chamava assim: era o mIRC. Conheci minha esposa por lá e ela estava de viagem/mudança marcada para os EUA. A primeira coisa que fizemos foi tentar nos encontrar, e seria simples, afinal eu era conhecido de seu irmão, mas não sabia de sua existência.
Nos desencontramos, ela viajou e a coisa ficou pela internet mesmo: mIRC, email, ICQ (só velharia :D).
As coisas desandaram por lá e eles voltaram, para minha alegria, porque poderia enfim encontrá-la pessoalmente.
O resto seguiu o curso natural e tradicional, e o uso de redes sociais pra mim, no tocante às amizades, é incompleto se não houver o mundo real inserido - um encontro, uma pizza, um filme, um evento, ou vários de todos esses.

Acho que dá pra conciliar. Basta você colocar na agenda alguns encontros reais. Vai faltar tempo para a internet, garanto. :D Pena que aqui no Rio estou tendo que construir a 'rede social real' novamente, mas já está acontecendo e graças a Deus por isso - sou um ser social (e falador/teclador)... ehehehhe...

Telly ♥ disse...

Tem dias que eu simplesmente digo que ficarei uma semana sem, já que ultimamente eu posso me dar o luxo de não depender dessa tecnologia tão querida e tão usada na área que eu atuo, mas como estou gestando e cuidando de vários aspectos de minha vida, acaba que agora é fácil ficar sem, mas antes quando estava na empresa seria praticamente impossível!

Mas olha vou te dizer, essse texto é genial, pois quantas vezes me irritei intimamente ao falar com uma pessoa que conversa comigo e com o celular ao mesmo tempo! Era um tal de face, de tuitar, de emissienizar... Ah, faça-me o favor, ser virtal não quer dizer abrir mão da educação não!

Como sempre seus textos são show! Indicarei ele já! ^^,

Rodrigo @ocronico disse...

É. Eu sou testemunha de como esse mundo pode viciar. Hoje me considero controlado. Mas ainda há o que melhorar.
Fato 1: é um mundo paralelo. Mundo, esse, que muitas vezes, para algumas pessoas, é melhor que o real. Um mundo que aparentemente consigo manipula melhor, e nele, viver melhor.

É claro que é um engano.

Como tudo na vida, naquilo que não há equilíbrio, pode ser nocivo pra mim.

Ainda bem que existem aqueles realmente atentos não só à forçosa auto-promoção que o indivíduo se encontra e procede, mas também naquilo que está mais profundo e leva esse indivíduo tal, a agir assim.
Fato 2: A auto-promoção as vezes é sintoma.

Meu unfollow, só não pode na vida. Só não pode se da realidade.

Abraço aos abrigados.
Povo lindo!