sexta-feira, 5 de agosto de 2011

vida simples...quem tem?

Ontem troquei um livro em um sebo no centro de Manaus. Troquei O Segredo por outro, de suspense policial, O Grito Roubado.
Se você convive comigo ou já leu meus textos, já percebeu que não tolero livros de autoajuda daqueles que ensinam os tantos passos para conquistar o mundo, para o caminho do sucesso, para se ter vitória sobre todas as dificuldades, para se ter controle emocional, pápápá, já que a força do universo pode convergir para você, e sua mente tem um potencial infinito, então você pode ser melhor que todo mundo, etecetera e tal, essas e outras baboseiras sentimentalóides e textos rasos que se você deixar acumular, entope sua caixa de correio eletrônico, mas que no meu caso, vão direto pra lixeira, excluídos definitivamente.
Estava pensando sobre essa sede eterna de seguir os passos de um mapa que leve a uma trilha que termine onde está o tesouro...
O que é que pode nos proporcionar um viver realmente relevante, que desafie as contingências da vida e te façam feliz, independente das circunstâncias? Que força é essa, se ela existir...
Uma força interior como a que tinha o profeta Habacuque, que disse que se ainda que a figueira não florescesse, que se não houvesse fruto na vide, que se os campos não produzissem mais mantimentos, que se o produto da oliveira falhasse, e que se as ovelhas fossem arrebatadas do aprisco, todavia, a despeito de tudo isso, ele se alegraria no Senhor e exultaria no Deus de sua salvação...
Uma força interior como a que possuía o apóstolo Paulo que disse que sabia viver contente em toda e qualquer circunstância, e que tendo com o que comer e com o que se vestir, estaria contente, pois Deus supriria cada uma de suas necessidades, por isso ele exclama “tudo posso naquele que me fortalece”, não na intenção de iludir seus leitores de que haveria uma suposta super-raça invencível de cristãos, mas que Deus o capacitaria com o poder para superar até situações extremas de vicissitudes e momentos desfavoráveis da vida.
Uma força interior que me fizesse não murmurar mais do calor causticante durante a duradoura sequidão do verão amazonense, quando me encontrasse debaixo da mornidão húmida de um calor de 45 graus... Ao contrário, uma força extra que me fizesse resignado e se possível, contente, agradecido a Deus, mesmo com a camisa impregnada de suor, mas o coração em paz, até capaz de entoar louvores sob a torridez desses trópicos iluminados...
Uma força interior que me fizesse contente com o modo de vida simples que escolhi para viver de acordo com o Evangelho de Jesus, mesmo que tivesse a oportunidade de me tornar rico, ou que fosse tentado a correr loucamente atrás de uma condição de vida mais confortável, de obter todas as conveniências tecnológicas do momento, do carro mais luxuoso e bem equipado do mercado, da casa própria dos sonhos, ou das viagens mais divertidas e alucinantes ao redor do planeta, ou mesmo de angariar o reconhecimento e os elogios dos homens de poder e prestígio da sociedade...
Antes, ter essa força interior para olhar com contentamento e simplicidade o que já adquiri na vida e poder olhar para as parcas coisas que tenho e me alegrar, olhar para o meu carro, pra a minha casa, meus objetos de estimação, meus preciosos livros, para a minha esposa, para os meus filhos e reconhecê-los como o bem mais precioso que já adquiri em vida, e me contentar alegremente por obter da graça de Deus, paz, alegria interior, Jesus como Amigo e amigos verdadeiros ao redor da mesa, a precisar depender de coisas materiais e de muito dinheiro para me sentir realizado na vida...que seja livre dessa falácia sutil do diabo.
Quero ter essa força interior, que é dada a mim pelo Espírito de Vida e aos que temem a Deus.
Essa força interior que mesmo que um dia me veja doente com o corpo depauperado e com as energias drenadas, ou perdendo bens materiais ou entes queridos, ainda assim poder encontrar uma reserva de louvor e agradecimento a Deus, como Sparfford que compôs um hino de gratidão a Deus quando estava a bordo de um navio no mesmo lugar onde suas filhas e esposa haviam sucumbido em um naufrágio:
Se paz a mais doce me deres gozar
Se dor a mais forte sofrer
Oh, seja o que for,
Tu me fazes saber
Que feliz eu serei com Jesus
Sou feliz com Jesus, meu Senhor!
Essa força revigorante que mesmo em aparente fraqueza, posso ter a certeza inarredável de uma vida plena com Deus, para além da eternidade, eu quero e desejo.
Diga-me meu amigo, se passaremos ou não no teste da simplicidade do Evangelho...
Queremos realmente viver intensamente essa vida simples de contentamento em JESUS e só Nele?
Ou palavras como O Senhor é meu pastor, nada me faltará (do que preciso), ou A minha graça te basta, já há muito não fazem mais nenhum sentido para nós, assíduos frequentadores de igreja?

4 comentários:

markeetoo disse...

Numa sociedade que diz que você é o que você tem, onde somos bombardeados por propagandas de produtos cada vez mais interessantes e mais caros, onde o sucesso é sinônimo de posses e títulos vejo como o cristianismo entra em conflito com o "curso" desse sistema.
Os ídolos só mudam de nome.

Ed disse...

Esse texto me fez olhar para dentro de mim e ver o quanto preciso dessa força na minha vida, no momento q estou passando muitas vezes me pego murmurando, problemas e mais problemas me deixando muitas das vezes me levar por eles... Preciso/tenho que parar para refleti nesse texto e fazer valer o "tudo posso naquele que me fortalece". Obrigada Pastor pelo belo texto.

Amana disse...

olá,

na verdade, estou passando para parabenizá-lo pelo cartoon do novo número a revista cristã genizah. ficou muito bom!

paz em cristo!

AlyCampos disse...

Belo texto! Essa simplicidade, esse contantamento, que possa procurar sempre em todo momento reconhecendo que Deus ja nos da muito mais do que precisamos.