quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Fazer

Os seres humanos são muito preteciosos. Não falo apenas dos seres humanos considerados em inúmeras comunidades ditas cristãs como perdidos e condenados ao inferno.
Mas falo daqueles que são membros de carteirinha, arrolados nas grandes agremiações da fé, onde se premiam os bem-sucedidos e os que alcançam grandes resultados.
A igreja de nosso tempo está montada na super produção do fazer. Estatística, senso, relatórios. A ordem é faça. Faça. Faça e faça. Hoje em dia quase não se dá mais ênfase naquilo que Deus disse: “Aquietai-vos e sabei que Eu Sou Deus”, ou: “Ficai parados e vede o grande livramento do Senhor”. Na igreja de hoje, o fazer e o ter engolfaram o simplesmente ser.
E é simplesmente ser mesmo, porque ser é simples, como o evangelho é simples. Ser de Jesus. Simplesmente estar à deriva da vontade de Deus e deixar-se levar pela onda de Sua graça incondicional. Essa aventura da fé, quase ninguém experimenta. É isso. Sem cobranças, sem terrorismo, sem prazo de entrega, sem a intimidação que leva a mais culpa. Evangelho é simples. A igreja complica.
O ser sobrepuja infinitamente mais o fazer e o ter porque é por sermos de Jesus, por conhecê-lo e sermos conhecidos Dele (e isso é absolutamente inalterável, porque já fomos escolhidos antes da fundação do mundo, e o que fazemos e produzimos não vai alterar em nada a força irrefreável do amor de Deus por nós) que seremos introduzidos na sala do trono do Leão de Judá. Doutra sorte, ele olhará com seus olhos como chamas de fogo e dirá: “Nunca VOS CONHECI”.
Infelizmente na nossa cultura igrejeira atual, com certeza, se Marta e Maria fossem membros de uma de nossas igrejas, Marta seria elogiada e Maria é que seria repreendida, porque os valores de então, são outros.
Aí eu penso no grau de avaliação de Jesus sobres os grandes empreedimentos humanos e as grandes acões da igreja. Podemos até ouvir o reverberar da frase de Jesus: ‘CONHEÇO AS TUAS OBRAS”.
Porque à luz da Palavra de Deus, toda iniciativa humana destituída de amor, ou fora daquilo que Jesus considera “em Meu Nome”, é fogo fátuo, é palha ao vento, ou como Isaías fala, que nossas melhores obras de excelência, são panos de menstruação, na época antiga, os trapos de imundície.
Mas de forma invertida e contraditória, assim como são os valores essenciais do Reino de Deus, ações consideradas insignificantes que não levantam poeira e não dão ibope, como por exemplo, dar um copo de água fria a um desconhecido, ou o tilintar de duas moedinhas oxidadas caindo no gazofilácio do templo, são motivo de aplausos e elogios no Reino.
Paulo fala que só existe um fundamento que é Jesus, a Rocha Eterna, a Pedra Angular. Ele é o alicerce sobre o qual devemos construir nossa casa. Todos acabamos por sermos construtores. Porque viver é construir ou edificar. Cada desejo que acariciamos, cada pensamento que concebemos, cada palavra que pronunciamos e cada obra que realizamos é por assim dizer, um tijolo na construção de nossa vida.
Mas precisamos ver minuciosamente como e com o que construimos sobre esse alicerce.
Paulo fala sobre construir com palha e madeira. Mas também podemos construir com ouro e prata. No entanto, assim como as casas construídas pelo construtor sábio e pelo nécio foram testadas quando veio a tempestade, assim nossas obras serão provadas pelo fogo da purificação. Se forem palha e madeira, queimarão e serão reduzidas a cinza e pó. Se forem ouro ou prata, se tornarão mais valiosos ainda, quando aquilatadas pelo fogo incandecente que sempre revela o que se é, e não a aparência que engana.
Então quando hoje leio, vejo, assisto e ouço músicas ou mensagens que me vem através da mídia ( e eu não saio mais de casa para assistir cultos ou shows megalomanícos a muito tempo), meu coração lamenta ao ver e ouvir tanta palha, ou em linguagem mais clara, tanta baboseira em nome do Evangelho. Tantas interpretações errôneas que transformam o Evangelho Santo de Jesus em um Manual de Auto-ajuda ou em um Livro de Ritos de passos para se ter sucesso incondicional e dinheiro nos negócios em tempo recorde.
Mas o Evangelho também nos concita a fazer. Mas até o nosso fazer sempre vem de Deus. Nossas obras foram “preparadas antes da fundação do mundo pra que andássemos nelas”. É por isso que Paulo diz: “quer comais, quer bebais ou façais qualquer coisa, FAZEI TUDO PARA A GLÓRIA DE DEUS” e “tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação (obra) , FAZEI-O EM NOME DO SENHOR”.
O que quero dizer com tudo isso, é que precisamos voltar ao Evangelho. Sim, o da graça, o da simplicidade devida à Cristo. Eu quase que conclamo a vocês a uma santa convocação. A de relermos o Sermão do Monte, e relermos as palavras do Mestre, isso sem interferências humanas contraditórias, aquelas que transformam o Evangelho em outro, não o de Cristo.
Voltemos ao Evangelho Simples que não nos julga por nosso pedegree, ou por nossos grandes (e pobres) feitos, mas por simplesmente sermos Dele. É SÓ.
Como diz o João Grilo do filme O Alto da Compadecida, “não sei como foi, só sei que foi assim”.
Manoeldc

Um comentário:

Guil disse...

Concordo aki tb Reverendo, hahahaha.
Eu tb fui muito mergulhado nesse estilo de vida religiosa ativista que vemos nas igrejas. Teve uma época q eu era presidente da UMP, presidente d Missões, lider d culto de oração, lider d culto nos lares, dava aula na EBD e culto infantil. Era uma loucura.
Crêio que muitos realmente o fazem de bom coração e na melhor das intenções, como fazendo à Deus, mas axo q o problema está na espectatíva q se gera em realizar a atividade, pois geralmente as pessoas q são envolvidas em ministérios se sentem naturalmente espirituais pelo simples fato de estarem realizando a obra de Deus.
Além disso, as outras pessoas também contribuem para q ela se sinta assim, com elogios e convites para pregar ou dirigir uma reunião. Enquanto q outras pessoas q servem a Deus fora de ministérios ou cargos na igreja, não recebem esse reconhecimento dos homens e acabam criando a idéia d q não são tão espirituais quanto aquelas. Axo q é todo um sistema q foi construido assim, e q leva um tempo para se desconstruir, mas q precisa acabar.
Louvo a Deus por ter me resgatado dessa prisão.
Devo isso principalmente ao senhor, (Manel), e o que tenho aprendido no Abrigo.
Abrço
Guilherme